A menos de um ano do fim do prazo de participação dos primeiros profissionais do Mais Médicos, o governo já estuda como fazer a substituição de até 30% dos integrantes do programa. Uma das propostas em análise prevê remanejamento de médicos estrangeiros no País para “áreas de maior dificuldade”, o que poderia gerar vagas mais “atrativas” para candidatos brasileiros.
Lançado em 2013, o Mais Médicos prevê a participação dos médicos por três anos. Com o fim desse período, o governo poderá trocar até quase 5,5 mil vagas de médicos dos dois primeiros ciclos de inscrição. Para evitar desabastecimento, o Ministério da Saúde já discute lançar um “super edital” em 2016.
Cubanos são a maioria. Pelas regras do Mais Médicos, profissionais sem diploma revalidado só podem atuar nas unidades básicas de saúde vinculadas ao programa como “intercambistas”. A renovação por igual período só pode ser feita caso os profissionais tenham o diploma revalidado e o aval de gestores nos municípios.
De acordo com o cronograma do Mais Médicos, o prazo do contrato da primeira leva de profissionais vence em agosto do próximo ano; os seguintes vencem em outubro de 2016 e em janeiro de 2017. Hoje, 18.240 médicos atuam no programa.
Medidas
Para o diretor da Associação Médica Brasileira, José Bonamigo, o governo não adotou medidas efetivas para fixar os médicos no interior do País, cenário que justificou a ação “emergencial” em 2013. Bonamigo também critica a qualidade das novas escolas médicas, única ação concreta, segundo ele, para suprir a carência de profissionais nos municípios.
Em nota, o Ministério da Saúde diz que as propostas para a reposição dos médicos ainda “estão em discussão”. A pasta diz ainda que as medidas foram apresentadas para “conhecimento e contribuição” dos secretários de saúde.
Permanência
A permanência no Brasil, porém, não é consenso entre os cubanos. Um dos impasses é a variação cambial. A moeda tem efeito sobre o dinheiro que enviam à família.
Quem revalidou o diploma também pode ter motivos para deixar o programa. Com o registro do conselho regional de medicina, é possível dar plantões e atuar em clínicas particulares. Em 2014, 1.999 candidatos fizeram o exame de revalidação – 32,6% foram aprovados. (Folhapress)
