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Programas tentam manter alunos de baixa renda nas universidades brasileiras

O avanço de bolsas aumentou a entrada de jovens em situação de maior vulnerabilidade social no ensino superior. (Foto: Mariana Leal/MEC)

O avanço de bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni), com bolsas para alunos de baixa renda estudarem em universidades privadas, e a política de cotas nas universidades públicas aumentaram a entrada de jovens em situação de maior vulnerabilidade social no ensino superior. Dentro das universidades, no entanto, esses jovens enfrentam dificuldades extras como deficiências na formação, trajetos longos no transporte público por morarem em áreas menos privilegiadas das cidades e o custo elevado de alimentação, por exemplo. Esses obstáculos acabam provocando, algumas vezes, que o sonho do diploma no ensino superior fique para trás.

Alguns projetos atuam justamente para ajudar na manutenção desses jovens na universidade e permitir que concluam os cursos, dando mais chances de uma vida melhor. Para além de apoio financeiro, há foco também em apoio pedagógico e psicológico.

O Apoio Solidário, organizado por professores do Departamento de Economia da PUC-Rio, é uma dessas iniciativas. O projeto começou com doação de livros, se estendeu para ajuda a transporte e alimentação e mais recentemente, na pandemia, com o fornecimento de notebooks. O financiamento vem de doações dos professores do curso – com desconto no contracheque – e apoio da coordenação.

“Bolsa abre as portas, mas não garante que o aluno consiga se manter no curso ou o diploma que vai mudar sua vida. A maioria dos bolsistas vem do ensino médio público, com qualidade diferente, e mora longe. […] A educação é o caminho para reduzir a desigualdade no país”, defende Sheila Najberg, uma das organizadoras.

Para contornar a deficiência de conhecimento prévio de alguns alunos, uma das frentes do programa é oferecer aulas para demandas específicas desses alunos, que são dados pelos próprios bolsistas do ProUni em estágios mais avançados do curso. O mecanismo dá uma remuneração para os alunos mais velhos e também reforça os laços entre os alunos bolsistas.

Além disso, há busca de parceria com as famílias, com um encontro por semestre. A ideia, segundo Najberg, é mostrar a realidade dos alunos, que enfrentam curso difícil, competem com colegas mais bem preparados e também podem reprovar em algumas matérias.

Garantir que seus alunos consigam concluir seus cursos, especialmente aqueles oriundos de famílias com renda menor, cé o objetivo por trás de programas de apoio organizados diretamente por universidades públicas do país, como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (Unb), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Na USP, por exemplo, o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil tem R$ 188 milhões em recursos para investimentos neste ano, 58% a mais que no ano passado. Na UFMG, existem auxílios financeiros de diferentes valores e objetivos para alunos de baixa renda (cotistas ou não), como alimentação, transporte, habitação ou para as estudantes que são mães.

Dos cerca de 33,5 mil alunos de graduação da UFMG, perto de 35% recebem alguma assistência estudantil, segundo a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Licinia Maria Correa. Para ter direito ao auxílio, os alunos passam por análise de renda da família e de possíveis agravantes de vulnerabilidade.

“Além dos auxílios focados na sobrevivência financeira, há outras preocupações. A maioria dos alunos de menor renda não tem capital cultural. E é preciso uma estratégia de mentoria, tutoria e de acompanhamento pedagógico para ajudar”, afirma. Com as cotas, que levaram a universidade menos elitizada, disparou a demanda de alunos por apoio, diz ela.

Levantamento sobre os alunos da UFMG mostra que há pouca diferença na evasão entre alunos cotistas e os da ampla concorrência. Entre 2013 a 2019, a taxa de evasão geral na universidade foi de 30%. Apenas entre os cotistas, é de 27%.

“Fica evidente que a diferença de evasão é muito pequena entre os cotistas e os demais. E esse indicador mostra também o quanto as políticas de permanência foram importantes para manter os alunos cotistas na universidade”, diz.

O próprio Ministério da Educação também tem duas iniciativas nessa linha: o Programa Bolsa Permanência (PBP) e ao Programa Bolsa Permanência Prouni (PBP Prouni). No primeiro, 93.424 estudantes foram cadastrados entre 2013 e 2022. Para concorrer, a renda per capita deve ser até 1,5 salário mínimo, entre outros critérios. Já a Bolsa Permanência ProUni concedeu bolsas a 31.467 estudantes entre 2006 a março de 2023.

Além das bolsas financeiras, a professora da USP defende que é preciso fazer mais para ajudar na permanência dos alunos nas universidades. Uma de suas sugestões é a construção de um sistema para análise e acompanhamento de acompanhamento de indicadores de aprovação nas disciplinas. “Uma alta taxa de reprovação é a antessala do trancamento da matrícula e da evasão”, aponta.

Nas universidades públicas, há também iniciativas de ex-alunos de universidades públicas para ajudar atuais alunos a concluírem seus cursos. Um dos pioneiros é o Amigos da Poli, fundo patrimonial da Escola Politécnica da USP, lançado em 2011, que apoia dezenas de projetos para a formação de alunos de forma ampla – e não apenas aqueles de baixa renda. As informações são do jornal Valor Econômico.

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