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Proposta de um dos pais do Plano Real para limitar a taxa Selic assusta o mercado

O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. (Foto: Antonio Scarpinetti/SEC Unicamp)

Uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reduzir a taxa Selic por meio de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária entrou no radar de integrantes do governo, que querem apresentar o tema ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A simples avaliação da proposta já provoca apreensão no mercado financeiro.

A discussão ocorre no momento em que economistas de diferentes matizes já cobram que o próximo governo Lula apresente uma agenda fiscal crível.

A preocupação com o rumo das contas públicas levou aliados do petista a defenderem a antecipação da definição da equipe econômica do quarto mandato, para enviar sinalizações mais concretas ao mercado e conter a alta do dólar observada nesta semana após o resultado do segundo turno.

Lara Resende defende há anos que o problema fiscal do Brasil está nos juros, e não no gasto primário (que exclui os juros), e retomou a tese em artigo publicado no fim de setembro (leia a íntegra do texto aqui). A Selic elevada faz os encargos da dívida crescerem a um ritmo que a produção de riqueza do país não consegue acompanhar. Para ele, é isso que explica a trajetória explosiva da dívida pública brasileira.

A dívida bruta, hoje, está em 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021. Como mostrou a Folha, equilibrar essa conta exigiria um ajuste de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos. Para Lara Resende, a saída está na outra ponta e passa por uma espécie de “tabelamento” da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano e em dois dígitos desde 2022.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse à Folha que nenhuma ideia de tabelamento de juros está na mesa do presidente Lula.

“Não há nenhuma reunião agendada entre o presidente e Lara Resende. Há uma série de economistas que se colocaram à disposição para colaborar, em contato com Aloízio Mercadante (presidente do BNDES), mas não há encontro previsto”, disse Durigan.

Três integrantes da equipe econômica afirmaram que existe a tentativa de agendar uma reunião de Lula com economistas que possam trazer visões diferentes para a solução do problema fiscal, mas ainda não há previsão formal para esse encontro, muito menos uma agenda privada entre Lula e Lara Resende.

A reportagem também apurou que alguns economistas alinhados ao PT são contra a proposta de Lara Resende e entendem que a simples divulgação de que o governo está cogitando avaliar a proposta cria ruído desnecessário.

O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou no domingo (1º) que Lara teria encontro com Lula nesta semana, ocasião em que a proposta poderia ser apresentada. O economista foi procurado por WhatsApp na tarde de domingo para comentar a proposta, mas não respondeu. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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