Em mais um passo das articulações para a sua recondução à Presidência da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) conquistou o apoio formal do PSB e do PDT à sua reeleição. Com a adesão, o bloco de apoio a Motta já reúne 12 partidos no arco de aliança.
Em nota divulgada pelas legendas, as agremiações defendem o apoio a Motta para enfrentar “o avanço da extrema direita” na composição da Câmara. “Diante da atual conjuntura política e institucional, marcada pelo avanço da extrema direita na composição da Câmara dos Deputados, entendemos que a construção de uma maioria com o centro democrático é fundamental para assegurar governabilidade, enfrentar as ameaças autoritárias e preservar o equilíbrio entre os Poderes, a autonomia das instituições e o sistema de freios e contrapesos, pilares essenciais da democracia brasileira”.
No texto, PSB e PDT dizem que vão apoiar a reeleição de Motta “em defesa da estabilidade institucional, do diálogo democrático, da democracia brasileira e do avanço das pautas de interesse do povo brasileiro”.
As duas siglas ligadas ao campo progressista se unem ao bloco formado por partidos do Centrão que já sinalizaram que caminharão unidos em 2027. União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, federação PSDB-Cidadania e Podemos já haviam declarado que Motta terá apoio do bloco para iniciar o diálogo em busca de convergência e unidade em torno de sua reeleição à Presidência da Câmara.
O PDT e o PSB destacaram, no comunicado divulgado após a reunião com Motta, que, ao longo da atual gestão, a Câmara dos Deputados avançou em temas classificados como “fundamentais para o país”, como o fim da escala 6×1, a reforma tributária, a PEC que garante financiamento contínuo do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e medidas voltadas ao fortalecimento dos Microempreendedores Individuais (MEIs), “entre outras iniciativas importantes para a promoção da justiça social, o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida da população”.
“Nesse contexto, os dois partidos reconhecem a importância de dar continuidade à construção de uma agenda legislativa comprometida com os direitos dos trabalhadores, a redução das desigualdades e o desenvolvimento do Brasil”, afirmam as legendas.
Motta tem buscado atrair apoio dos partidos de centro e também de esquerda para sua recondução em meio às especulações sobre a eleição para a Mesa Diretora da Câmara após o resultado das urnas no primeiro turno – quando o PL conquistou a maioria das cadeiras na Casa. O partido de direita elegeu 121 deputados, tornando-se a maior bancada da Câmara e passou a ventilar que apoiaria um nome alternativo ao de Motta para a presidência da Casa. A eleição para a cúpula do Congresso acontece em fevereiro de 2027.
Segundo informações do jornal Valor Econômico, apesar da resistência de parte expressiva da bancada do PL ao nome de Motta para presidir a Casa, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, fez um acordo com o dirigente do Republicanos, Marcos Pereira, e trocou o apoio à recondução do parlamentar pelo endosso à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O atual presidente da Casa preferia a neutralidade, já que fez campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira rodada eleitoral.
Integrantes do PL, no entanto, defendem que por ter uma bancada expressiva, há direito de pleitear a presidência. Um dos principais nomes citados é o do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ). Há também um mapeamento de quantas comissões o PL teria direito à primeira pedida proporcionalmente ao tamanho da bancada.
Para frear a tentativa do PL de ocupar os principais postos na Casa, o Centrão e os partidos de esquerda já se articulam para manter a força e a divisão de espaços na Mesa Diretora e comissões legislativas. Apesar de ainda não ter uma posição formal, nos bastidores, parlamentares do PT também defendem uma composição com Motta para frear as pretensões do PL de lançar uma candidatura adversária. As informações são do jornal Valor Econômico.
