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Deputado é expulso do PSOL porque acredita em Deus

O PSOL expulsou o deputado federal Cabo Daciolo (RJ), eleito em 2014 após liderar uma greve de bombeiros no Rio de Janeiro. Daciolo foi acusado de contrariar o programa do PSOL ao tentar incluir Deus na Constituição Federal e ao defender os PMs (policiais militares) presos no caso Amarildo. A decisão foi tomada por 53 votos a 1 no diretório nacional do partido, em Brasília. Por 31 votos a 24, a sigla decidiu não reivindicar o mandato ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O deputado, que é evangélico, apresentou uma proposta para modificar o parágrafo 1 da Constituição, que afirma que “todo poder emana do povo”. Ele queria alterar o texto para substituir “povo” por “Deus”.

O líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), afirmou que a ideia é inaceitável. “Ele colidiu com um ponto fundamental do nosso partido, que é a defesa do Estado laico. Respeitamos todas as crenças, mas o discurso fundamentalista religioso não pode ser tolerado”, disse Chico, que votou pela expulsão.

Daciolo também entrou em conflito com políticos do partido que atuam na área de direitos humanos. Em março, ele defendeu a libertação de 12 policiais militares acusados de participar da morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013. De acordo com as investigações, Amarildo foi torturado e morto por PMs da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, no Rio.

O deputado não foi localizado para comentar a decisão do partido. No dia 13 deste mês, ele afirmou que lutaria contra a medida. “O PSOL sempre soube da minha fé e das minhas posições em defesa dos militares. Volto a repetir: sou cristão e acredito piamente que todo poder emana de Deus”, escreveu em sua página no Facebook.

A ex-deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ), única a votar pela permanência de Daciolo no partido, informou que ele recorrerá da decisão. Com a saída do bombeiro, a bancada do PSOL na Câmara cai de cinco para quatro deputados.

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