A ação da força-tarefa da Operação Lava-Jato, que teve como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira, se tornou um recurso que dirigentes do PT tentarão aproveitar para reunificar a militância e conter o afastamento dos movimentos sociais, insatisfeitos com a política econômica do governo. Na avaliação do PT, é possível usar a comoção em torno de Lula após a Operação Aletheia para disputar o espaço das ruas com mais força e, dessa forma, se contrapor a uma nova onda de protestos pelo afastamento da presidenta Dilma Rousseff, marcados para o próximo domingo.
Após a operação de sexta-feira, os movimentos sociais começarão uma convocação pró-Lula já para terça-feira, Dia Internacional da Mulher. Outro ato contra o impeachment e em defesa de Lula e do PT está sendo preparado para o dia 18, cinco dias após os protestos contra Dilma, também na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Antes, a articulação seria feita só no fim do mês.
Vítima de abuso
Os petistas acham que ficou mais fácil mobilizar a militância com o mote de que Lula teria sido “vítima de abuso” da Lava-Jato. O ato realizado na quadra do Sindicato dos Bancários, na noite de sexta-feira, em São Paulo, é um exemplo. Segundo organizadores, no ano passado a CUT (Central Única dos Trabalhadores) trabalhou duas semanas para tentar encher o local para um discurso e conseguiu só meia lotação. O ex-presidente não gostou. Na sexta-feira, faltou espaço para o público solidário a Lula. “O que aconteceu hoje era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça”, disse o próprio Lula.
