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Qual o melhor país para o brasileiro morar após se aposentar? Descubra

O porto de Punta del Este: Uruguai é o melhor destino para aposentados brasileiros. (Foto: Reprodução)

Você já pensou em como será a sua aposentadoria? Morar em outro país está nos seus planos? Um país aqui ao lado é apontando como o melhor destino para brasileiros aposentados que buscam qualidade de vida e segurança financeira na terceira idade. O Uruguai está no topo da lista, seguido por Portugal e Espanha. Mas o que esses países têm que valha a pena se mudar de mala e cuia para lá?

Os destinos foram elencados pelo “2026 Global Retirement Report & Index”, lançado pela Global Citizen Solutions nesta quarta-feira. O relatório leva em conta cinco pilares para avaliar 46 países e listar quais os melhores para os aposentados de todo o mundo. Há um levantamento específico para brasileiros.

Os indicadores são qualidade de vida, mobilidade e cidadania, tributação, custo e processo. O somatório das pontuações em cada um desses quesitos determina a posição no ranking.

“Quando juntamos todos esses fatores, temos o índice geral e a nota geral de cada um. Assim, analisamos o ranking dos países com os melhores programas de residência não lucrativa”, explica a CEO da Global Citizen Solutions, Patricia Casaburi.

Esses programas contemplam um visto para estrangeiros morarem em determinado país com recursos próprios, ou seja, sem exercer atividade profissional localmente, o que se encaixa no perfil dos aposentados.

Os cinco pilares

O pilar qualidade de vida engloba a força do passaporte, a integração local, o custo de vida, o desenvolvimento e as liberdades individuais. Já mobilidade e cidadania considera os requisitos e a facilidade para obter a naturalização no país.

“Em alguns países, com dois anos de residência, a pessoa pode iniciar um processo de naturalização e adquiri-la. A gente analisa a força do passaporte. Se, por exemplo, eu for morar na Espanha, com dois anos posso solicitar a nacionalidade espanhola. Para quantos países posso viajar sem necessitar de visto? Essa é uma questão relacionada à mobilidade”, explica Laura Madrid, pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions.

O quesito tributação analisa a taxação sobre renda e herança e verifica se o país oferece um regime especial para aposentados. Quanto aos custos, o levantamento considera qual renda a pessoa precisa comprovar para solicitar um visto de residência não lucrativa ou um visto de aposentadoria. Também é avaliada a necessidade de algum investimento prévio, além da comprovação de renda.

O quinto pilar é o processo, que considera quanto tempo uma pessoa leva para ter a residência reconhecida e quais são as facilidades para incluir familiares como dependentes.

“É analisada, por exemplo, a facilidade para colocar o filho como dependente, o companheiro ou a companheira. Inclusive, alguns países oferecem a possibilidade de incluir os pais como dependentes e fazerem a solicitação juntos no mesmo processo. Essas são as questões relativas ao processo”, explica Laura.

Os melhores destinos para aposentados brasileiros

A lista específica para brasileiros levou em conta os países que podem ser mais confortáveis para aposentados do país, considerando fatores como conforto, familiaridade e proximidade linguística.

Embora a proficiência em inglês seja um fator de atratividade para alguns brasileiros, isso não se aplica a todos.

“Tem pessoas que vão encarar morar na Itália ou na França com certo romantismo e com a possibilidade de fazer um projeto para aprender uma nova língua. O mundo é grande e existe uma porcentagem significativa de pessoas com esse perfil. Mas, considerando as gerações mais velhas, talvez brasileiros que estejam em uma posição de se aposentar e tenham como foco a aposentadoria possam considerar o inglês uma barreira”, pontua Laura.

Confira a lista

Uruguai – É o país mais completo na pontuação dos cinco pilares, com 97 em Mobilidade, 96 em Custos, 84 em Processo e 78 em Qualidade de Vida. Há facilidade para estabelecer residência de forma ágil, sem necessidade de vínculo empregatício ou investimento prévio, por meio do acordo de Residência do Mercosul. O país também oferece afinidade linguística, proximidade geográfica e um regime de tributação territorial que isenta rendimentos de capital de fonte estrangeira por até 11 anos.

Portugal – Destaca-se pela proximidade linguística e cultural, pela possibilidade de naturalização em sete anos e, ao fim do percurso, pela obtenção da cidadania europeia. Os pilares de Qualidade de Vida (94) e Mobilidade (99) estão entre os mais altos do índice. Já o sistema tributário recebeu nota 58.

Espanha – Na condição de cidadão de país ibero-americano, o brasileiro pode solicitar a naturalização após dois anos de residência legal. O país lidera o grupo em Qualidade de Vida, com nota 94. O contraponto está no pilar tributário (50, o mais baixo do grupo), já que a Espanha tributa a renda em bases mundiais, com alíquotas progressivas elevadas e sem regime preferencial específico para aposentados.

Paraguai – Apresenta uma combinação de custo e condições fiscais favoráveis. O país reúne baixa exigência financeira, residência ágil via Mercosul e um regime estritamente territorial, que mantém a aposentadoria de fonte brasileira fora do alcance da tributação local. O contraponto é a Qualidade de Vida (70), seu pilar com menor pontuação.

Costa Rica – Oferece regime territorial (88), afinidade linguística e boas pontuações em Custos (95) e Mobilidade (95). A limitação está no Processo (64): o programa de vistos e residência para aposentados é consolidado, mas o trâmite é considerado o mais lento entre os países do grupo.

E o Brasil?

Na lista geral, o Brasil ficou em 15º lugar entre 46 países. O país se destaca pela acessibilidade do visto de renda passiva (VITEM XIV), que exige renda mensal de aposentadoria ou pensão de US$ 2 mil, equivalente a cerca de R$ 10 mil, não estabelece idade mínima e não exige a compra de imóvel.

Entre os critérios analisados, p Brasil também ficou em 6º lugar no quesito Mobilidade e Cidadania, com possibilidade de naturalização.

O principal ponto negativo é a tributação, que colocou o Brasil na 35ª posição nesse quesito. Residentes são tributados sobre a renda mundial, com alíquotas de até 27,5%, e o país não possui acordos para evitar a dupla tributação com Estados Unidos e Reino Unido.

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