Ícone do site Jornal O Sul

Quase 70% das pessoas com deficiência no Brasil não concluíram ensino fundamental, e apenas 5% terminaram a faculdade

A inclusão no mercado de trabalho também é diferente para pessoas com deficiência. (Foto: Ricardo Amanajás/Agência Pará)

Um levantamento feito em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que faz parte da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), traçou um perfil e o panorama dos brasileiros com deficiência no Brasil. O estudo divulgado nesta quinta-feira (26) aponta que 67,6% dessas pessoas com 18 anos ou mais de idade não tinham instrução ou tinham o fundamental incompleto, contra 30,9% daquelas sem deficiência.

Pessoas sem deficiência também tiveram mais do que o triplo do percentual de pessoas que concluíram o nível superior se comparado com as pessoas com deficiência. Segundo o IBGE, apenas 5% das pessoas com deficiência com mais de 18 anos haviam concluído o ensino superior naquele ano.

“Há estudos que mostram a dificuldade que essas pessoas têm no acesso à educação desde o início de seu percurso acadêmico, seja pela falta de acessibilidade ou de tecnologias assistivas, seja pela falta de preparo das escolas para lidar com a diversidade em salas de aula. É importante ter conhecimento e condições que permitam que essas pessoas tenham condições de participar na escola, ser incluída, e ter acesso à informação. A educação é um direito da pessoa com deficiência. Daí a importância desses dados para contribuir para formação de políticas públicas adequadas para as pessoas com deficiência.”, diz Maíra. Apenas 5,0% das pessoas com deficiência com mais de 18 anos haviam concluído o ensino superior. Entre as pessoas sem deficiência, esse percentual foi de 17,0%.

No caso da população com deficiência mental, o desnível é ainda maior: esse grupo teve o menor percentual de pessoas com pelo menos o ensino médio completo (10,5%) e o maior percentual sem instrução ou ensino fundamental incompleto (78,4%).

A inclusão no mercado de trabalho também é diferente para pessoas com deficiência. Apenas uma a cada quatro pessoas dessa população em idade de trabalhar (25,4%) estava ocupada em 2019. O nível de ocupação da população em geral era, à época, de 57,0% e, entre as pessoas sem deficiência, 60,4%.

A pesquisa apontou que o baixo nível de ocupação dessa população pode estar relacionado à menor participação na força de trabalho. Em 2019, apenas 28,3% das pessoas com deficiência acima de 14 anos estavam na força de trabalho, ao passo que esse percentual era de 60,0% para a população sem deficiência. Quando indagadas a respeito dos motivos para não terem tomado providência para conseguir trabalho, 48,9% das pessoas com deficiência apontaram problemas de saúde, 28,8% disseram não desejar trabalhar e 10,5% afirmaram não conseguir trabalho por ser considerado muito jovem ou muito idoso.

Também entre a população com deficiência, há diferenças no nível de ocupação a depender do tipo de deficiência apresentada. As pessoas com deficiência visual (32,6%) e auditiva (25,4%) estão mais presentes no mercado de trabalho do que as que tinham deficiência física nos membros superiores (16,3%) ou as que tinham deficiência física nos membros inferiores (15,3%). Mas, também nesse indicador, as pessoas com deficiência mental ficaram em situação mais desigual: apenas 4,7% delas estavam ocupadas. As informações são do IBGE.

Sair da versão mobile