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Quase 80% dos brasileiros defendem punições contra quem infringe a quarentena

Organizadores de ato que pede intervenção de militar são presos em Fortaleza. (Foto: Arquivo Pessoal)

Com o País se aproximando da casa dos 40 mil casos de Covid-19 e mais de 2.300 mortes pela nova doença, 79% dos brasileiros são favoráveis a punições contra quem infringe as medidas de isolamento social em vigor no País, segundo o Instituto Datafolha. Apenas 18% acreditam que o governo não deve controlar a movimentação de pessoas. Entre as que defendem algum tipo de sanção, apenas 3% defendem que infratores de quem desrespeitar as regras.

A pesquisa do Datafolha ouviu 1.606 pessoas na última sexta-feira (17) pelo telefone, respeitando as medidas de isolamento social. A margem de erro é de 3% para mais ou para menos. Entre as que defendem algum tipo de punição, 33% foram favoráveis a multas e 43% defenderam advertências verbais. As punições financeiras satisfazem mais jovens de 16 a 24 anos e assalariados com carteira registrada, enquanto as advertências são defendidas em maior parte pelos brasileiros mais ricos (de 5 a 10 salários mínimos).

A nova pesquisa indica também que a adesão à quarentena se mantém constante em relação ao último levantamento, no início do mês, quando 4% dos entrevistados disseram que mantinham a rotina de antes da pandemia da Covid-19. O índice de pessoas que ainda deixam suas residências apenas para trabalhar subiu, no entanto, de 24% para 26%.

O isolamento social, criticado frequentemente pelo presidente Jair Bolsonaro, é defendido pela maior parte dos governadores do País. Nesta semana, João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ) estenderam as medidas restritivas em seus respectivos estados. Doria chegou a sugerir a prisão daqueles que desrespeitassem a quarentena, mas não anunciou novas restrições na última sexta-feira, quando ampliou o isolamento até o dia 10 de maio.

As medidas são defendidas por especialistas com o objetivo de achatar a curva epidêmica da Covid-19 no Brasil, ou seja, adiar o pico da pandemia no país para garantir a estruturação do sistema de saúde e evitar o colapso já identificado em capitais como Manaus e estados como o Ceará.

Presos no Ceará

Quatro pessoas foram presas nesse domingo (19) por contrariar o decreto de quarentena no Ceará e participar de uma carreata que pedia o fim do isolamento social e intervenção militar em Fortaleza. Um adolescente também foi apreendido. O decreto foi assinado pelo governador do Ceará, Camilo Santana, em 19 de março, como forma de tentar conter o avanço da pandemia de coronavírus no estado. O documento determina o fechamento do comércio não essencial e a coibição de aglomerações.

As detenções ocorreram no Centro de Fortaleza, em frente à 10ª Região Militar, onde os manifestantes se concentraram e pediram aplicação do AI-5. O Ato Institucional número 5 (AI-5) vigorou durante dez anos (de 1968 a 1978), no período da ditadura militar, e foi usado para punir opositores ao regime e cassar parlamentares.

Entre os detidos está uma mulher apontada como organizadora da carreata. As quatro pessoas, três homens, de 26, 50 e 67 anos e a mulher de 32 anos, assinaram um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) no 2º Distrito Policial, no Bairro Aldeota, área nobre de Fortaleza.

Já o adolescente foi levado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), onde foi lavrado um Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) análogo aos crimes de desacato e desobediência.

Em uma mensagem em rede social, o governador Camilo Santana classificou a manifestação pedindo o AI-5 como “inaceitável” e “repugnante”. “Inaceitáveis e repugnantes atos que façam apologia à ditadura e que promovam o desrespeito às instituições democráticas, como vimos hoje pelo País. O Brasil não se curvará jamais a esse tipo de ameaça”, publicou, no Twitter.

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