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Que pena, Brasil!

A duplicação da BR-116, de Guaíba a Pelotas, iniciou em 2012 e ainda não está pronta. (Foto: Alan Cardoso/PMC)

Estive recentemente na Croácia. Ela pertencia à Iugoslávia e se tornou independente em 1991. Há 35 anos!

O processo de dissolução e fragmentação da República Socialista ocorreu naquela época, devido a conflitos econômicos, políticos e religiosos. Ela se dividiu e originou sete países nos Bálcãs.

Ainda existem grandes cicatrizes da guerra civil. A Croácia possui um relevo montanhoso. A cordilheira dos Alpes Dináricos cruza o país de norte a sul. Por sobre o mar, as montanhas miram o Adriático e identificam mais de 1.000 ilhas. É o lugar sonhado pelos velejadores.

Devido às adversidades geográficas, o país precisou construir dezenas de túneis na rocha montanhosa. O Mala Kapela, o Sveti Rok e o Ucka têm mais de 5 km de extensão cada um. São mais de 120 km em túneis. São obras arrojadas de engenharia. São surpreendentes, bem iluminadas e ventiladas.

A Croácia pertence à Comunidade Europeia desde 2013. Produz bens industriais, agrícolas e energéticos. O turismo também é uma grande fonte de receita.

O sistema educacional é obrigatório e gratuito até o acesso universitário, que depende do exame de conclusão do ensino médio. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é 0,889. Está na 40ª posição do ranking mundial. O Brasil se encontra na 84ª.

Na volta, é claro, existe uma comparação natural com o nosso país. Hoje, a sensação é que a Croácia é um canteiro de obras e o Brasil parece ainda “adormecido em berço esplêndido”.

As nossas grandes obras de engenharia ocorreram há muito tempo. A nossa maior ponte, a Rio-Niterói, com 13,3 km, denominada “Presidente Costa e Silva”, foi inaugurada em 1974.

A nossa maior usina hidrelétrica é Itaipu. Foi inaugurada em 1984 pelo presidente João Batista Figueiredo.

A melhor estrada do nosso Estado é a Freeway, inaugurada em 1973 por Emílio Médici.

Voltando a analisar a Croácia, também impressionam as atividades de construção, conservação e conserto das estradas. Trabalham aos sábados e domingos. Parece que lá existe a consciência de que só se pode crescer trabalhando. E trabalhando muito!

Aqui, “trabalho” é uma palavra proscrita e até indecente. Aqui, hoje, se estimula o ócio e a inatividade.

O presidente Washington Luís disse, em 1930, que “governar é abrir estradas”.

Sinto vergonha profunda quando lembro que a duplicação da BR-116, de Guaíba a Pelotas, iniciou em 2012. Catorze anos depois, ela ainda não está concluída!

Que vergonha!!

Onde andam nossos governantes?!

Que pena, Brasil!

* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário

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