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“Quem deseja ditadura sonha com um passado que nunca houve”, disse o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso sobre protestos

Barroso assumirá a presidência do TSE no dia 25 deste mês. (Foto: Carlos Moura/Divulgação STF)

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal) criticou os protestos desse domingo (19) que pediram uma intervenção militar no Brasil e o fechamento dos poderes.

“Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. Pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso”, afirmou o magistrado, que foi eleito nesta semana presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Barroso não quis fazer comentários sobre a participação de Jair Bolsonaro em uma das manifestações, nem sobre suas falas. O presidente chegou a subir na caçamba de uma caminhonete, em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, e discursou para manifestantes de uma carreata que criticava o Congresso e pedia intervenção militar e a volta do AI-5 no Brasil.

“Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil”, declarou o presidente, que participou, pelo segundo dia consecutivo, de manifestação em Brasília, causando aglomerações. “Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, declarou.​

“Todos têm que ser patriotas, acreditar e fazer sua parte para colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder. Mais que direito, vocês têm a obrigação de lutar pelo país de vocês”, seguiu Bolsonaro. Em determinado momento do discurso, ele tossiu várias vezes e levou a mão à boca.

Há manifestações em curso em diferentes pontos do país neste domingo, como Salvador, São Paulo e Manaus. Os manifestantes pedem a volta ao trabalho e a abertura do comércio. Há discursos em defesa do isolamento vertical, quando só os grupos de risco ficam em isolamento.

O número de mortes pelo novo coronavírus chegou a 2.462 no Brasil nesse domingo. Em 24 horas, foram registrados 115 óbitos pela doença. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde. Ao todo, são 38.654 casos confirmados da Covid-19.

De acordo com o balanço, o índice de letalidade do novo vírus, em relação ao total de casos, está em 6,4%. No dia anterior eram 36.599 casos e 2.347 mortes. Mas Bolsonaro vem negando a gravidade da pandemia e deixa seu posicionamento explícito ao promover passeios e aglomerações em Brasília, ao contrário do que recomenda a OMS.

O presidente tem incentivado vários protestos. No sábado (18), ele também deixou o Alvorada para se encontrar com apoiadores. No alto da rampa do Palácio do Planalto, esperou a chegada de uma carreata formada por ativistas católicos contrários ao aborto. Em seguida, o mandatário desceu a rampa e se reuniu com os simpatizantes.

Na semana passada, ele demitiu o seu então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tinha posicionamento contrário, e técnico, sobre a pandemia. Além da gestão Bolsonaro, outros governos que ignoram a seriedade da doença são Turcomenistão, Nicarágua e Belarus.

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