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Quem é Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos Estados Unidos que teve o visto cancelado pelo governo Trump

A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, de 72 anos, teve seu visto norte-americano revogado. (Foto: Agência Senado)

A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, de 72 anos, teve seu visto norte-americano revogado nessa terça-feira (4). Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.

Maria Luiza foi embaixadora do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013, quando se tornou embaixadora do Brasil na Alemanha. A diplomata passou a representar o Brasil em Washington em 2023.

Em um período anterior na Missão do Brasil na ONU, atuou como vice-presidente da comissão preparatória da Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo, entre outras ocupações.

No Brasil, ocupou diversos cargos no Ministério de Relações Exteriores, como diretora-geral do Departamento de Organizações Internacionais, de Direitos Humanos e Assuntos Sociais e chefe da Divisão da América do Sul, onde foi responsável pelas relações com Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.

Além de concluir o Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco, em 1976, a diplomata é graduada em economia pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF) e concluiu um curso de pós-graduação na Universidade de Brasília. Maria Luiza Ribeiro Viotti nasceu em 27 de março de 1954, em Belo Horizonte (MG).

A revogação do visto

A revogação do visto ocorre em meio à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Indicado ao cargo em junho, Perez recebeu há duas semanas a aprovação de uma comissão do Senado norte-americano, mas sua nomeação ainda precisa ser confirmada pelo plenário da Casa.

Além disso, pela tradição diplomática, antes de um embaixador assumir o posto, o país que irá recebê-lo precisa autorizar a indicação. Segundo o Departamento de Estado, o Brasil ainda não concedeu esse aval.

O governo americano alega que as autoridades brasileiras sinalizaram que a autorização só deve ser dada após as eleições presidenciais de outubro. O Departamento de Estado disse ainda não descartar outras medidas.

“Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas.”

A revogação do visto da embaixadora brasileira foi anunciada 10 dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

Repúdio

O governo brasileiro repudiou a revogação do visto da embaixadora nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O país norte-americano justificou a medida pela demora do Brasil na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil.

O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando serem falsas. “O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas”.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil. Segundo o governo, o nome só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião.

O pedido norte-americano, acrescenta a nota, ainda está em análise. “Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément”, destacou.

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