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Quer viver em Portugal? Veja salários, vistos e as novas regras de migração para brasileiros

Para os padrões do continente europeu, Portugal é um destino acessível para brasileiros. (Foto: Reprodução)

Para os padrões do continente europeu, Portugal é um destino acessível para brasileiros que, não à toa, formam a maior comunidade estrangeira no país, somando mais de 500 mil residentes. Com o idioma comum como principal atrativo para adaptação e um clima mediterrâneo, com verões frescos e invernos chuvosos, o país ocupa a 7ª posição no Global Peace Index.

Já o salário mínimo é um dos mais baixos da zona do euro, fixado pelo governo português em € 920 mensais (cerca de R$ 5.700), e, combinado com o custo de vida crescente em Lisboa e Porto, pode apertar o orçamento de quem não chega com emprego ou renda garantidos.

Para uma pessoa solteira, os gastos mensais com alimentação giram em torno de € 250 (cerca de R$ 1.500), valor que engloba tanto as compras de supermercado quanto o hábito de comer fora. Já o gasto com contas (luz, gás, água e internet) gira entre € 100 e € 120 (cerca de R$ 580 a R$ 700) mensais. A eletricidade, por exemplo, é um componente central das contas fixas, influenciada por recorrentes reajustes tarifários.

O sistema de saúde do país funciona através de um modelo misto, mas é fortemente ancorado no sistema público e universal, o Serviço Nacional de Saúde (SNS). A porta de entrada para qualquer cidadão ou residente legal em Portugal é o Centro de Saúde de bairro ou Concelho (equivalente aos postos de saúde ou Clínicas da Família no Brasil).

Hoje, paga-se de € 14 a € 18 pelo serviço de pronto-socorro se o paciente for por conta própria e a situação não for considerada uma emergência real. Além disso, o mercado de planos de saúde custa em média entre € 30 e € 50 mensais para um jovem adulto.

Com um salário mínimo baixo para os padrões europeus, os preços dos aluguéis nas principais cidades preocupa, com valores que variam entre € 350 e € 500 (cerca de R$ 2 mil e R$ 2,9 mil). O aluguel de um apartamento de um quarto em Lisboa, por exemplo, pode custar entre € 900 e € 1.300 (R$ 5.200 e R$ 7.600). Já em áreas afastadas, como Amadora ou Odivelas, os aluguéis ficam entre € 850 e € 1.100 (R$ 5 mil e R$ 6.300).

Para Sanny Ferreira, brasileira que imigrou para Lisboa há sete anos, os altos preços de moradia são um fator preocupante, que parecem só encarecer e contrastam com a renda mínima do país.

“Mesmo com o custo de vida sendo bom em outros setores, como alimentação e transporte, o problema maior é o aluguel, que está muito caro e cada vez mais valorizado, até pela vinda de tantos estrangeiros. Assim fica muito mais difícil para quem ganha um salário mínimo”, disse a brasileira, em entrevista ao jornal O Globo.

Novas regras de imigração

Com a promulgação da nova Lei dos Estrangeiros de 2025, as regras para imigração foram endurecidas, eliminando a antiga “manifestação de interesse”, que permitia que imigrantes não qualificados chegassem como turistas e se legalizassem trabalhando em qualquer área, tornando obrigatória a obtenção de visto consular ainda no país de origem. O novo cenário prioriza profissionais altamente qualificados e restringe o visto de procura de trabalho a quem comprove formação superior ou técnica.

As mudanças de endurecimento das regras para concessão de cidadania refletem um movimento mais amplo do governo português de restrição da política migratória. A principal alteração atinge quem busca a cidadania por tempo de residência. O prazo mínimo para conseguir a cidadania passou de cinco para sete anos para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), grupo do qual o Brasil faz parte, e pode chegar a 10 anos para estrangeiros de outras nacionalidades.

A nova Lei, que entrou em vigor em maio deste ano, altera a forma de contagem do prazo, restringe critérios para filhos de imigrantes e pode ampliar ainda mais o tempo de espera. Segundo o governo, as portas não estão fechadas, mas também não estão mais escancaradas. As informações são do jornal O Globo.

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