A minuta de pedido de asilo político na Argentina, que, segundo a Polícia Federal, foi encontrada na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi editada, pela última vez, no mesmo dia em que o ex-chefe do Executivo entrou na Embaixada da Hungria, em 12 de fevereiro de 2024, após ter o passaporte retido pela Justiça. Bolsonaro ficou “hospedado” por três dias daquele mês na representação diplomática húngara, em Brasília.
A estadia na Embaixada da Hungria no Brasil foi divulgada pelo jornal The New York Times. O jornal publicou imagens de vídeo e fotos indicando que Bolsonaro entrou na embaixada em Brasília no dia 12 de fevereiro e só saiu de lá dois dias depois.
No mesmo dia 12, segundo a PF, o arquivo “Carta JAIR MESSIAS BOLSONARO.docx” foi editado pela última vez. Para os investigadores, o documento é um sinal de que o ex-presidente planejou “fugir do País, com o objetivo de impedir a aplicação de lei penal”.
“Durante a análise do material apreendido, foi identificado um arquivo de texto no formato .docx, com última modificação em 12.02.2024, cujo conteúdo revela que JAIR MESSIAS BOLSONARO praticou atos para obter asilo político na Argentina. Embora se trate de um único documento em formato editável, sem data e assinatura, seu teor revela que o réu, desde a deflagração da operação Tempus Veritatis, planejou atos para fugir do País, com o objetivo de impedir a aplicação de lei penal”, diz o relatório da PF.
À época, a defesa de Bolsonaro confirmou a presença do ex-presidente na Embaixada da Hungria quatro dias após a PF deflagrar uma operação que confiscou seu passaporte. Em nota divulgada à imprensa, os advogados do expresidente disseram que Bolsonaro ficou na embaixada “a convite” e negou que o ex-presidente buscava asilo político.
Segundo o NYT, a estadia de Bolsonaro na Embaixada da Hungria seria um indício de que Bolsonaro estava tentando “alavancar a sua amizade” com o primeiro-ministro Viktor Orbán, que faz parte de uma rede mundial de políticos conservadores associados à extrema direita, com o objetivo de tentar escapar de punições da Justiça brasileira.
Já o documento com o pedido de asilo na Argentina foi produzido após a deflagração da operação da Polícia Federal no inquérito que apurava uma tentativa de golpe de Estado por parte do ex-presidente e aliados após a eleição de 2022. A investigação resultou na ação penal na qual ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento, endereçado ao presidente da Argentina, Javier Milei, Bolsonaro afirma que é “um perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos”. Na minuta, o nome de Milei é grafado errado: “Miliei”.
O advogado Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação de Bolsonaro, afirmou ontem que o ex-presidente “nunca cogitou sair do Brasil” e negou a existência de um plano de fuga para a Argentina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
