Indicado pelo presidente Michel Temer para o cargo de líder da maioria na Câmara, o deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) afirmou que a reforma da Previdência Social proposta pelo governo provocou “rebuliço” e “inquietação” entre os parlamentares que integram a base de apoio do Palácio do Planalto.
Lelo foi anunciado líder da maioria há cerca de duas semanas. O cargo dele foi criado por Temer para acomodar uma ala do PMDB insatisfeita com o Planalto e que reivindicava mais espaço no governo. Atualmente, a reforma da Previdência está em análise em uma comissão especial da Câmara. Em seguida, caberá ao plenário da Casa votar a proposta e, depois, ao Senado.
Entre outros pontos, o governo propôs idade mínima de 65 anos para homens e mulheres poderem se aposentar e contribuição por 49 anos para o cidadão ter direito à aposentadoria integral. Desde que foi apresentada, contudo, a reforma enfrenta resistência tanto da oposição quanto de parte dos parlamentares que apoiam o governo Temer.
Lelo afirmou que o governo está “medindo o pulso” das bancadas. “Tem um rebuliço importante, nós vamos ter que estar monitorando”, declarou. O peemedebista atribui esse sentimento de “rebuliço” entre os parlamentares da base a uma “série de desinformações” sobre o assunto. O deputado avalia, porém, que o apoio à medida começará a ser aferido somente a partir de agora.
Dos 513 deputados, 400 integram 21 partidos que compõem a base aliada de Temer e são representados pela liderança da maioria. Na prática, porém, nem todos esses parlamentares votam sempre conforme a orientação do Palácio do Planalto.
“Há uma inquietação [na base aliada], porque esse tema [reforma da Previdência] veio e aí uma série de desinformações foi sendo colocada. E essas desinformações vieram primeiro do que as informações, que estão chegando agora”, disse Lelo.
A estratégia de Temer
A estratégia definida por Temer e pelos partidos aliados, no jantar oferecido aos líderes no início da semana, no Palácio da Alvorada, é promover reuniões internas das bancadas e esclarecer os pontos da reforma com o objetivo de identificar onde há acordo e articular como solucionar as divergências.
Ao longo de terça-feira (07) e quarta-feira (08), por exemplo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, passou o dia se reunindo com diferentes partidos para tirar dúvidas dos parlamentares. “Objetivamente, essa primeira semana é quando vamos sentir, de fato, qual é a temperatura do conjunto dos parlamentares que representam a base do governo”, disse Lelo. (AG)
