A secretária especial da Cultura, Regina Duarte, alegou que estava em São Paulo e, por isso, não conseguiu ir à coletiva do presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira, 24. Na ocasião, Bolsonaro rebateu denúncias e fez críticas ao ex-ministro da justiça, Sergio Moro, ao lado de quase todos os seus ministros.
A assessoria de imprensa da atriz afirmou que a dificuldade em encontrar voos, por conta do novo coronavírus, e a idade avançada da secretária (73 anos) a impediram de ir para Brasília, em meio à pandemia.
Defensora de Moro desde o período da Lava Jato, Regina também ainda não se pronunciou sobre a saída do ex-juiz do governo. O apreço entre os dois era recíproco. Em fevereiro, na ocasião da posse de Regina, Moro publicou uma foto com a secretária no Twitter dando boas-vindas à atriz no governo.
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, chefe da pasta da qual a secretaria de Regina faz parte, também não foi ao evento. Pelo Twitter, ele deu parabéns a Bolsonaro pelo pronunciamento e disse que não compareceu por estar a caminho de Belo Horizonte.
Demissão
No último dia 17, o Diário Oficial da União trouxe a nomeação do bibliotecário Aquiles Alencar Brayner para o cargo de diretor do Departamento do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB), órgão ligado à Secretaria Especial da Cultura que estava sem um titular desde a saída de Guilherme Relvas ainda no governo Temer.
No entanto, o governo recuou e resolveu revogar, nesta quinta-feira (23), a nomeação de Brayner. A decisão veio depois que bolsonaristas acusaram o pesquisador de “esquerdista infiltrado”.
Além de bibliotecário, Aquiles é psicólogo e possui doutorado em literatura brasileira pelo King’s Colllege. Ele é também curador digital da Biblioteca Britânica.
O DLLLB é responsável pela formulação, implementação, monitoramento e avaliação da política da Secretaria Especial da Cultura no campo do livro e da leitura. Em 2014, passou a incorporar na sua estrutura o Sistema Nacional de Bibliotecas (SNBP); o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler); e a Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles, além das Coordenações-Gerais de Leitura e de Literatura e Economia do Livro.
Queda
Nomeado para gerir a Fundação Palmares depois de uma longa briga judicial, Sergio Camargo, conta com a simpatia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e está usando essa influência para atacar frontalmente sua superior hierárquica, a secretária de Cultura Regina Duarte.
Camargo é conhecido por opiniões polêmicas sobre figuras históricas como Zumbi dos Palmares e por minimizar o racismo no Brasil. Ele nunca suportou Regina e sequer esteve em sua posse.
A recíproca parece ser verdadeira, porque a secretária, logo que assumiu o cargo, em março deste ano, chamou o presidente da Fundação Palmares de “problema a ser resolvido“. A demissão de Camargo, entretanto, foi vetada por Bolsonaro.
Regina passou a ser atacada abertamente por ele e ter sua cabeça pedida logo após Bolsonaro exonerar dois ministros considerados fortes: Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, e Sergio Moro, da Justiça.
Camargo acusa sua superior hierárquica de ser e tentar nomear “esquerdistas” no governo Bolsonaro. Perguntado por uma internauta sobre as ações da secretária desde que assumiu, criticou uma ação de Regina para atenuar os efeitos do coronavírus no setor cultural: “Flexibilizou a prestações de contas da muito lei Rouanet, beneficiando a sórdida classe artística”, acusou.
