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Reinfecção por coronavírus pode ser mais agressiva mesmo sem variantes

O País registrou 37.038 novos diagnósticos em 24 horas. (Foto: Reprodução)

As pessoas assintomáticas e as que apresentaram sintomas leves ou moderados de covid-19 correm risco de reinfecção pela doença, mesmo que não tenham sido contaminadas por uma das variantes de preocupação, como a amazônica P.1, além das cepas de Reino Unido e África do Sul.

Nestes casos, o segundo contágio provoca uma resposta corporal inflamatória mais intensa e com sintomas mais fortes, mostra um estudo pré-publicado, ou seja, ainda não revisado por pares, de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (Idor).

Esse estudo usou exemplos de reinfecções ocorridas no Estado do Rio de Janeiro que mostraram que pacientes desenvolveram sintomas mais agudos em relação à primeira infecção, mesmo não sendo contaminados com algumas dessas variantes.

De acordo com Fernando Bozza, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo que atua na Fiocruz e no Idor, esse risco de reinfecção em relação às novas variantes é maior, mas o foco do estudo, que não abordou essas cepas, foi os casos de infecção por cepas não variantes, algo novo até então.

O dado preocupa, pois derruba a ideia de que a reinfecção só ocorre devido às novas variantes como a P.1, a B.1.1.9 (do Reino Unido) e a B.1351 (de origem na África do Sul).

Conforme Bozza, o dado reforça ainda mais a necessidade de manutenção das medidas de contenção do novo coronavírus, como isolamento social, redução de circulação de pessoas, uso de máscaras e higienização.

Intubados

As lesões nos rins têm feito com que até metade de pacientes com covid-19, que evoluíram para quadros graves e foram intubadas, apresentem insuficiência renal e precisem de diálise, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

No HCor, o parque de equipamentos para o procedimento foi ampliado na pandemia para atender à demanda da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Quem vai precisar fazer diálise, faz intubado. Sabemos que 5% dos pacientes têm formas graves, que precisam intubar. Quando o quadro é muito grave, o paciente pode ter lesões renais e precisar de hemodiálise porque o rim para de funcionar”, diz Osvaldo Merege, presidente da SBN.

Segundo Merege, essa situação atinge até metade dos pacientes graves. “Em porcentagem, dos 5% que estão intubados, 2,5% estão precisando. Temos casos de hospitais fazendo diálise em 30%, 40% e até em metade dos pacientes intubados.”

O dano ao órgão pode ser causado por um evento grave que acomete algumas pessoas com a covid-19, a tempestade de citocinas, reação exacerbada do sistema imunológico que pode afetar o funcionamento de órgãos vitais e levar à morte. Sepse e a ação do vírus no órgão também podem estar ligadas aos casos.

No fim de março do ano passado, o médico pediatra intensivista Nelson Horigoshi, de 65 anos, teve covid-19 após ir a um encontro de família.

“Uma pessoa estava infectada. Seis pessoas pegaram e eu fui o único internado. E fiquei em estado grave. Fiquei intubado por dez dias e precisei fazer algumas sessões de hemodiálise. Quando meu rim começou a responder, consegui me livrar. Ao todo, foram 20 dias na UTI e 20 dias no quarto.”

Além do problema renal, Horigoshi teve acometimento cardíaco e pulmonar. “A parte cardiológica foi a que reverteu mais rápido. O pulmão demorou três meses para normalizar, mas tenho um pouco de fadiga até hoje. Tenho insônia e o rim demorou a melhorar. Este mês foi o primeiro que tive o exame do rim com resultado normal. É uma doença terrível.”

De acordo com o presidente da SBN, alguns pacientes se recuperam mas há casos de pessoas que acabam evoluindo para doença renal crônica. No entanto, ainda não há registro de sobrecarga no serviço por causa da chegada das pessoas que superaram a covid-19 e ficaram com sequelas nos rins.

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