O Reino Unido registrou nesta sexta-feira (16) o maior número diário de novos casos de covid-19 em mais de seis meses, três dias antes da data marcada pelo governo para retirar todas as restrições contra a pandemia que ainda estão vigor. Diante desse cenário, cientistas de diferentes países pediram a Londres que adie a decisão de encerrar as medidas.
Segundo os últimos dados do governo britânico, foram registrados 51.870 novos casos do novo coronavírus, enquanto houve 48.553 na quinta-feira (15). O número desta sexta é o maior desde 15 de janeiro.
Já a quantidade de mortes segue baixa, em comparação com o que o país viu durante outros picos da doença. Foram 49 nesta sexta, menos que na quinta-feira, quando foram 63 mortes. O número de óbitos desde o início da pandemia é de 128.642.
Apesar do avanço das infecções, o primeiro-ministro Boris Johnson defende que este é o momento para retirar as restrições restantes à mobilidade e às aglomerações, graças à situação avançada da vacinação no país.
Até quarta-feira (14), 67,9% da população já havia tomado pelo menos uma dose, enquanto 52% estavam totalmente imunizados. A maioria das pessoas que ainda não foram vacinadas é de jovens, grupo que só foi autorizado a se vacinar recentemente.
A partir desta segunda-feira (19), boates na Inglaterra vão poder reabrir e pubs, bares e restaurantes poderão receber mais clientes. A exigência do uso de máscara nos transportes públicos e em lojas também acabará, apesar de muitos representantes desses setores já terem afirmado que exigirão ou irão aconselhar o uso.
A decisão de prosseguir com a retirada das restrições, no entanto, preocupa. Cientistas renomados de diferentes países pediram ao governo britânico que adie a decisão.
Em nota, o grupo disse que deseja “alertar para a perigosa resposta do governo britânico ao aumento exponencial das infecções” devido à variante Delta do novo coronavírus, que é mais contagiosa e foi detectada primeiro na Índia.
“Os ministros foram informados de que essa decisão deve causar entre 1 e 2 milhões de casos nas próximas semanas e potencialmente entre 7 e 10 milhões até o final do ano, com um pico de mais de 100 mil infecções diárias durante o verão”, afirmou o grupo de cientistas, que inclui especialistas em saúde pública como Walter Ricciardi e Michael Baker, que aconselham os ministérios da Saúde da Itália e da Nova Zelândia, respectivamente.
Os cientistas alertaram que “[essa] estratégia de infecção em massa corre o risco de minar os esforços de controle da pandemia não apenas no Reino Unido, mas também em outros países”. Eles também destacam que existe um risco de novas variantes resistentes à vacina se desenvolverem, pedindo a Londres que “reconsidere com urgência” o plano.
Também nesta sexta, o principal conselheiro médico do governo, Chris Whitty, alertou que a Inglaterra poderia voltar rapidamente à crise:
“Não acho que devemos subestimar o fato de que podemos ter problemas de novo surpreendentemente rápido.”
