Autoridades estaduais investigam se há relação entre duas mortes e a ocorrência de temporais no Rio Grande do Sul ao longo da semana. As vítimas residiam no Noroeste gaúcho e tiveram seus corpos encontrados nessa quinta-feira (5). Já se sabe, porém, que os casos fatais não ocorreram em áreas onde a Defesa Civil confirmou a passagem de tornados.
Na lista de perdas humanas está uma mulher de 71 anos, caída perto de sua casa nas imediações do Arroio Cará, no município de Cacique Doble. A outra envolve um motociclista de 44 anos, desaparecido em Sagrada Família após ser arrastado pela correnteza de um riacho que tentava atravessar, no dia anterior.
Ainda no que se refere aos tornados, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul identificou o fenômeno na manhã de quarta-feira (4). Os registros abrangem pontos da zona rural dos municípios de Erval Grande, Itatiba do Sul e Barra do Rio Azul, todos na Região Norte do Estado.
O tornado é uma coluna de ar em rotação violenta e forma de cone invertido (ou corda) e que se estende desde a base de uma nuvem de tempestade até a superfície terrestre, resultando no fenômeno atmosférico mais destrutivo em escala local. Já o diâmetro médio da parte superior pode chegar a dezenas ou centenas de metros, ao passo que sua duração costuma ser de alguns minutos.
De um modo geral, a força do deslocamento dessa corrente pode ter cerca de de 11o km/h nos casos mais leves e 480 km/h nos eventos mais extremos. A movimentação da coluna giratória pelo terreno, por sua vez, tem velocidade de 30 a 60 km/h.
Os tornados se formam a partir de tempestades severas, chamadas “supercélulas”, quando há choque de massas de ar com temperaturas e humidades muito diferentes (como o ar quente e úmido encontrando o ar frio e seco). Essa diferença de temperatura gera correntes de ar ascendentes rápidas e uma mudança brusca na direção do vento em diferentes altitudes (cisalhamento). Isso faz com que o ar comece a girar horizontalmente dentro da nuvem e, estimulado pelas correntes da tempestade, incline-se para a vertical, formando o funil descendente.
Balanço até agora
Balanço atualizado pelo governo gaúcho contabiliza 135 ocorrências relacionadas a vendavais, granizo, chuvas intensas, enxurradas, raios, alagamentos e deslizamentos desde o último domingo (1º). Estima-se que esses eventos afetaram quase 50 mil gaúchos em 123 municípios, dos quais 116 reportaram feridos ou danos materiais.
Ao todo, foram contabilizados 25 feridos, 235 desalojados e 93 desabrigados. O levantamento aponta, ainda, 6.496 residências danificadas, 2.140 destelhadas, 107 alagadas e dez completamente destruídas.
Entre os municípios mais afetados, Espumoso lidera em número de pessoas diretamente atingidas (15.201), seguido de Vicente Dutra (4.665) e Passa Sete (4.186). Já Nova Prata concentra o maior volume de danos materiais, com 2,7 mil casas danificadas, além de prejuízos em escolas e estabelecimentos.
(Marcello Campos)
