O relator da Operação Lava-Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Teori Zavascki, quer investigar o vazamento da delação premiada firmada pelo ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS). Na quinta-feira, a revista IstoÉ publicou supostos trechos de depoimentos em que o parlamentar acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a sua sucessora Dilma Rousseff de envolvimento direto em tratativas para atrapalhar a força-tarefa.
Segundo fontes do Supremo, a intenção de Zavascki é pedir que a PGR (Procuradoria-Geral da República) apure o vazamento das informações sigilosas. A delação de Delcídio ainda não foi homologada, o que deve ocorrer nos próximos dias. O procedimento de análise do acordo de colaboração é visto com naturalidade na Corte, que já homologou as delações de outros investigados que citaram autoridades com foro privilegiado.
Em fevereiro, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou mudanças em resolução que trata de investigações criminais. Pelo novo texto, os juízes devem instaurar apuração sobre vazamento de dados sob sigilo.
A divulgação precoce de informações sobre a delação irritou o relator e a PGR (Procuradoria-Geral da República), que encaram o fato como obstáculo ao andamento da apuração: ao saberem que os seus nomes foram citados, por exemplo, potenciais investigados podem esconder provas. (AE)
