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Relatório aponta superfaturamento em contrato de presídio do Amazonas onde ocorreu rebelião

MPC pediu a instauração de processo para rescindir contratos com empresas que administram os presídios do Amazonas. (Foto: Reprodução)

O MPC (Ministério Público de Contas) do Amazonas protocolou no início da tarde desta quarta-feira um pedido ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) para que sejam rescindidos os contratos com duas empresas que administram os presídios do Estado. De acordo com o órgão, há indícios de irregularidades como superfaturamento, mau uso do dinheiro público, conflito de interesses empresariais e ineficácia da gestão.

O pedido de rescisão vale para todos os contratos das duas empresas responsáveis pela gestão de seis presídios do sistema. O Amazonas registrou três rebeliões em unidades prisionais em menos de 24 horas, entre domingo e segunda-feira.

O MPC diz que as empresas recebem valores muito altos por presos, que há suspeitas de que este dinheiro não foi empregado na infraestrutura e apoio aos detentos, que as mesmas empresas fizeram doações a candidatos nas eleições e que a Umanizzare Gestão Empresarial, que administra o Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), onde uma rebelião teve 56 presos mortos na segunda-feira, é a empresa que mais recebeu recursos do Estado em 2015.

Em nota, o governo amazonense informou que a contratação da empresa para a cogestão de seis unidades prisionais no Estado foi feita por meio de licitação pública e que ainda não foi notificado oficialmente sobre o pedido do MPC. Já a Umanizzare divulgou nota lamentando a tragédia e afirmando que presta apoio às autoridades na investigação dos fatos.

Conforme o procurador de Contas Ruy Marcelo Alencar de Mendonça, o governo do estado paga à Umanizzare  4,7 mil mensais por preso no Compaj, sem a devida contrapartida de serviços proporcionais, inclusive por presos extras, que respondem por superlotação carcerária, denotando assim intolerável conflito de interesses empresarial e má aplicação do dinheiro público.

“Temos indícios de que o valor que se paga por preso é muito elevado, e os documentos que recebemos não demonstram contrapartida da empresa, tanto que o incidente que ocorreu mostrou a precariedade em que o presídio se encontrava. Já havia suspeita de descontrole e ineficácia dos serviços prestados”, disse o procurador.

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