Ícone do site Jornal O Sul

Responsável pelo ciclone no Sul, o El Niño atingirá o auge no fim do ano

Ápice do fenômeno está previsto para dezembro e janeiro, prolongando o período de maior risco de desastres. (Foto: Reprodução)

O El Niño, que eleva as temperaturas do Oceano Pacífico, está por trás da intensidade das chuvas registradas e do ciclone no Rio Grande do Sul este mês, que deixaram 47 mortos e milhares de desabrigados. O ápice do fenômeno está previsto para ocorrer entre dezembro e janeiro, prolongando o período de maior risco de desastres naturais para o Sul.

O aquecimento anormal das águas do oceano altera as correntes de vento e as precipitações em diversas partes do globo. No Sul do Brasil, especificamente, o El Niño provoca tempestades intensas e frequentes, que devem se repetir esta semana. Segundo previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), entre esta quarta-feira (13) e no decorrer da quinta-feira (14), um ciclone extratropical se desenvolve junto à costa do Rio Grande do Sul e alinha a passagem de uma nova frente fria.

“Os maiores acumulados de chuva vão se concentrar entre a faixa central, sul e oeste do estado do Rio Grande do Sul, com volumes entre 100 e 150 milímetros (mm), com acumulados pontuais de 200 mm, até quinta-feira. Na faixa norte e nordeste do estado, a chuva pode ficar entre 80 e 100 mm. Áreas da região metropolitana de Porto Alegre devem registrar muita chuva, com volumes que podem se aproximar, ou até mesmo superar, os 100 mm”, informa o instituto.

“A partir de sexta-feira (15), a frente fria avança para Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo e o tempo fica seco no Rio Grande do Sul até o domingo (17), com madrugadas frias e tardes com temperatura em rápida elevação. As temperaturas caem bastante em toda a Região Sul entre esta quarta e a quinta-feira.”

“A atmosfera está trabalhando em modo El Niño”, afirma Marcelo Seluchi, diretor-geral do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. “Infelizmente, vamos ter mais situações como as da semana passada, com episódios de chuva mais frequentes e mais intensos. Esse é o ‘padrão El Niño’ no Sul.”

A média de precipitação para setembro no Rio Grande é de 180 milímetros – a média registrada nos primeiros oito dias de setembro já foi de 200 mm. E, nesses primeiros dias do mês, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou volumes superiores a 200 mm em muitas áreas, sendo que alguns locais chegaram a acumular mais de 300 mm, como é o caso de Passo Fundo, Serafina Correa e Cruz Alta.

O El Niño afeta também o regime dos ventos. No alto da atmosfera, a pelo menos oito quilômetros de altura, os mais frios e mais intensos, chamados de jatos, tendem a se intensificar. “Vento, calor e umidade. É tudo do que se precisa para a formação de tempestades”, afirma o pesquisador do Cemaden Christopher Cunningham, especialista na área de clima. “Dadas essas condições, teremos de ficar de olho na passagem de todas as frentes frias pela Região Sul pelo menos até o fim do ano.”

O Sul costuma receber frentes frias da Antártida. Quando essas frentes se chocam com o ar mais quente, a tendência é de formação de tempestades e até de ciclones extratropicais. Além disso, as mudanças climáticas tendem a agravar o El Niño. “Será que não estamos falhando na cultura da prevenção? A informação já está disponível”, disse Cunningham. “Não adianta depois dos desastres colocar a culpa em quem não pode se defender, no caso o clima.” Para o pesquisador, os efeitos do aquecimento global já são evidentes. “Não é algo que vai acontecer no futuro, já está acontecendo.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e do Inmet.

Sair da versão mobile