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Retiradas da poupança superam depósitos pelo quarto mês consecutivo

No acumulado do ano, as retiradas chegam a R$ 66 bilhões. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A caderneta ‌de poupança no Brasil registrou em setembro retiradas líquidas de R$ 9,350 bilhões, mostraram dados do Banco Central. Esse foi o quarto ‌mês seguido de saques depois de terem sido ‌registrados depósitos em ‌maio, único mês no ⁠ano com entradas líquidas na poupança até agora. A aplicação tem registrado perdas anuais consecutivas de recursos desde ‌2021, com a grande maioria ‌dos meses ⁠apresentando ⁠resultados negativos.

No mês passado, houve um ⁠saldo ‌negativo de ‌R$ 6,186 bilhões no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), enquanto a poupança rural teve ⁠saques líquidos de R$ 3,164 bilhões. No ano, a poupança acumula saques líquidos de R$ 66,432 bilhões ‌até setembro.

A rentabilidade atual da caderneta de poupança é ⁠dada pela taxa referencial (TR) mais uma remuneração fixa de 0,5% ao mês. Essa fórmula vale enquanto a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a taxa básica de juros está atualmente em 13,75% ao ano.

Inflação de setembro

A inflação de setembro avançou 0,82%, acima das expectativas, e reverteu a deflação do mês anterior, levando o acumulado de 12 meses a 4,58%, rompendo o teto da meta, de 4,5%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo os economistas, houve uma piora qualitativa do indicador, marcada pela aceleração nos núcleos de inflação e pela resiliência nos preços do setor de serviços. Isso fez com que parte do mercado se dividisse sobre a análise dos rumos da política monetária, que está em uma tendência de corte de juros.

Enquanto parte dos analistas defende a continuidade dos cortes da taxa Selic, baseada no alívio do câmbio e em sinais de desaceleração da economia, uma outra ala já avalia que as pressões inflacionárias exigem uma pausa no ciclo de afrouxamento.

“As perspectivas permanecem sob pressão: a inflação de serviços deve continuar resiliente dado o mercado de trabalho aquecido, os preços de alimentos devem manter-se pressionados pelo fenômeno El Niño, e os preços do petróleo próximos a US$ 100 o barril adicionam pressão sobre os reajustes de combustíveis, bens industriais e tarifas aéreas”, avaliam especialistas.

Para o Goldman Sachs, a conjuntura deixa pouco espaço para o corte de juros no curto prazo, e a recomendação é de uma cautela adicional. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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