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Ricardo Salles decidiu deixar o Ministério do Meio Ambiente quando soube que o ministro do Supremo Alexandre de Moraes pediria sua prisão

Bolsonaro pediu a Salles que ficasse no Ministério do Meio Ambiente e enfrentasse o Supremo. (Foto: Reprodução)

Alvo de inquérito que investiga um esquema ilegal de retirada e venda de madeira, Ricardo Salles decidiu deixar o Ministério do Meio Ambiente quando soube que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pediria sua prisão.

Ao tomar conhecimento da informação por meio de um colega, Salles viu que sua permanência no governo era insustentável.

Na conversa com o presidente Jair Bolsonaro, um dia depois de ser informado sobre o risco de prisão, o ainda ministro agradeceu a confiança, mas disse que não tinha mais como continuar na equipe. Bolsonaro pediu, porém, que ele ficasse e enfrentasse o Supremo. Salles respondeu que, além de levar a crise para o centro do governo, temia pela segurança da mãe, também investigada.

A Polícia Federal apura operações financeiras de Salles, tendo como base o escritório de advocacia do qual ele é sócio com a mãe, em São Paulo. O inquérito foi autorizado pelo Supremo, a pedido da Procuradoria-geral da República (PGR). A suspeita é de que Salles atuava no cargo para favorecer madeireiros que desmatam a Amazônia, abrindo caminho para o contrabando de madeira ilegal. Ele nega irregularidades.

O pedido de prisão teria como fundamento suspeitas de que Salles estaria atuando para prejudicar as investigações. Ao pedir demissão, Salles esvaziou essa justificativa, uma vez que não tem mais poder algum na pasta. Além disso, o processo pode deixar o Supremo. O ministro Alexandre de Moraes analisa se existe mais algum investigado com prerrogativa de foro para manter o caso sob sua relatoria. Caso contrário, a investigação terá que ser enviada para a Justiça Federal do Distrito Federal ou do Amazonas.

A ministra Cármen Lúcia, relatora de um outro inquérito contra Salles no Supremo, determinou que ele entregasse seu passaporte à Polícia Federal para não deixar o País. A defesa do ex-ministro afirmou que o documento já foi entregue.

Novo Ministro

O novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, de 46 anos, tem mais relação com a Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, do que seu antecessor, Ricardo Salles. Atuando na área privada, Pereira Leite desenvolveu projetos de preservação da floresta, mas também assessorou ruralistas.

A dúvida dos que o conhecem é se, no ministério de Jair Bolsonaro, ele conseguirá fazer valer sua experiência em preservação florestal ou se dobrará à linha do “um manda e o outro obedece”.

Há dez anos, quando era diretor da MRPL Consultoria, o goiano Pereira Leite participou de projetos de manejo florestal sustentável e de créditos de carbono na Amazônia. Em um desses projetos, conheceu a engenheira florestal Janaína Dallan, uma das especialistas da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. “Fizemos um projeto de preservação da floresta há mais de dez anos e ele foi uma das pessoas envolvidas”, lembra Janaína.

O agora ministro atuou também como conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB) – a bancada ruralista, com mais de 200 deputados e senadores, tem dado suporte ao governo de Bolsonaro. Em 2019, ele foi atuar no Departamento Florestal do Ministério. No ano seguinte, assumiu a Secretaria de Florestas e Desenvolvimento Sustentável, depois substituída pela da Amazônia e Serviços Ambientais.

Foi quando Janaína retomou o contato com Pereira Leite. “Ele queria manter um canal aberto com as empresas voltadas à preservação da floresta na Amazônia. Estava interessado em ajudar para que houvesse mais projetos de preservação”, disse. Como secretário, Leite integrou a comissão de preservação do Conselho Nacional da Amazônia Legal.

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