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Rio Grande do Sul deve ser o Estado com maior crescimento econômico neste ano, indica relatório nacional

Estimativas indicam alta de 4,6% no PIB gaúcho, impulsionada pelo agronegócio. (Foto: Freepik)

Estudo produzido pelo Banco do Brasil projeta para o Rio Grande do Sul uma alta de 4,6% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Se confirmado, o índice colocará o Estado no topo do ranking nacional de crescimento econômico no ano, com desempenho superior ao dobro da médida nacional (2%). A previsão é puxada pelo desempenho do setor agropecuário, estimado em 16,5% no período.

Intitulado “Resenha Regional”, o relatório destaca o cenário de recuperação econômica após ciclos climáticos adversos, como a estiagem e as enchentes recordes de 2024. Esse movimento já foi destacado na edição de janeiro do “Boletim de Conjuntura” do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

O documento elaborado pela pasta gaúcha menciona “um padrão observado após períodos de quebra de safra, quando a forte retomada da agropecuária funciona como o centro dinâmico da economia estadual”. Sublinha, aindam, que “nesse contexto o setor gera reflexos positivos imediatos sobre o comércio, a logística e a indústria de transformação”.

Conforme mencionado no início do texto, o pilar do avanço é a agropecuária, com alta projetada de 16,5%, muito acima da média nacional do setor (1%). A produção de grãos deve somar 8,2 milhões de toneladas adicionais, com destaque para a soja (expansão de 55,4%) e milho (19,9%).

Já o setor de serviços deve crescer 4,3% no Estado, superando amplamente a média brasileira (2,1%). De forma semelhante, na indústria a trajetória prevista para o ano também é de expansão, ainda que comparativamente menor (1,3%), beneficiada pela redução da taxa Selic e uma forte demanda por implementos agrícolas e bens de consumo.

Programas de apoio

O governo do Estado atribuiu a perspectiva otimista também a fatores como a execução de políticas públicas de suporte direto ao produtor, a exemplo do programa “Milho 100%”, mantido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

Implementada para a safra 2025-2026 e com investimento de R$ 93 milhões, a iniciativa garantiu subsídio integral para aquisição de sementes de milho e sorgo a mais de 40 mil produtores em 457 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

– Sementes e Mudas Forrageiras: com investimento de R$ 26 milhões em 2026, o programa atende mais de 24 mil agricultores, fortalecendo a base da pecuária de leite e corte.

– Programa Agrofamília: com foco na sucessão rural e produtividade, a iniciativa já investiu R$ 56 milhões, incluindo R$ 12 milhões em projetos produtivos para jovens em 140 municípios.

– Feiras da Agricultura Familiar: o aporte de R$ 14 milhões em feiras regionais viabiliza a comercialização direta, que em 2025 superou a marca de R$ 46 milhões em vendas.

– Bônus Mais Leite: o foco é fortalecer e qualificar a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. Com investimento de R$ 30 milhões, concede bônus financeiro de até 25% sobre o valor contratado por produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), em operações de custeio e aporte voltadas à atividade.

– Desenvolve RS Rural: conjunto de ações que totalizam R$ 43,7 milhões para fortalecimento da agricultura familiar em povos indígenas, comunidades quilombolas, pescadores, aquicultores e escolas agrícolas, além do incentivo a formas associativas de organização da agricultura familiar e em projetos de captação de água.

– Consulta Popular: destinada a fortalecer agricultura familiar e agroindústrias por meio de projetos das prefeituras , auxiliando produtores no aumento da produtividade e comercialização. Apresentou resultados expressivos em 2025, com execução de 75 demandas e 75 convênios, totalizando R$ 5,93 milhões.

– Defesa Sanitária: a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) também investe na estabilidade das cadeias animais, por meio do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). Criada pelas próprias cadeias produtivas (aves, suínos, corte e leite), a iniciativa complementa as ações de defesa sanitária e garante mecanismos indenizatórios em casos de enfermidades.

– No setor de especialidades, recursos como o Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis, com R$ 44,3 milhõe), o Fundo de Desenvolvimento e Inovação da Cadeia Produtiva de Erva-mate (Fundomate, que destinou R$ 850 mil), bem como o Fundo de Desenvolvimento da Ovinocultura (Fundovinos, com porte de R$ 4,9 milhões) e os programas Pró-Oliva e Pró-Pecã ajudam seus protagonistas a reduzir vulnerabilidades.

– Subvenções: para garantir que o crescimento seja sustentável, o governo oferece subvenções de 20% para investimentos privados em sistemas de irrigação. O objetivo é ampliar a área irrigada em 100 mil hectares nos próximos quatro anos, conferindo previsibilidade ao PIB mesmo em anos de instabilidade climática.

(Marcello Campos)

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