Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno, depois de terminar o primeiro à frente do presidente Lula (PT), cercado por ao menos cinco grupos de origens diferentes que disputam espaço no ministério de seu eventual governo. Parte deles acompanha o senador desde a campanha; outros intensificaram a aproximação na última semana.
No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista.
O primeiro dos grupos, o da área econômica, tem nomes ligados ao ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PL) Paulo Guedes e operadores da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. O segundo é composto por integrantes dos partidos do centrão e políticos ligados, em especial, ao agronegócio.
Há o grupo do núcleo familiar de Flávio, com aliados mais fiéis do bolsonarismo. Em paralelo, o quarto grupo é o dos nomes ligados a Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo que, após um apoio mais discreto a Flávio no primeiro turno, viajou a Brasília e a Goiânia nos últimos dias para mergulhar na eleição do aliado.
Por fim, há o grupo dos nomes de fora, pessoas com quem Flávio conta, mas sem histórico público de interação política anterior.
A campanha de Lula tenta dar ares de salto alto ao movimento dos adversários. “Nem ganhou eleição, já está loteando o governo. Não é assim”, disse o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato derrotado por Tarcísio em São Paulo durante uma panfletagem na avenida Paulista, na quinta-feira (8).
Na área econômica, Daniella Marques e Adolfo Sachsida, dois ex-integrantes da equipe de Guedes, foram apontados ao longo da campanha como possíveis nomes para Fazenda ou Planejamento.
Alexandre Ywata, que substituiu Marques quando ela deixou a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade para chefiar a Caixa Econômica Federal, também deve fazer parte do time, caso Flávio seja eleito. Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro e hoje no BTG, tem aparecido em listas de cotados.
Marques, que também foi cotada para vice de Flávio, vinha dizendo a interlocutores, mesmo antes da primeira votação, que preferia outra pasta e, agora, é cotada para comandar algum posto da área social, o que abriu espaço para outros nomes.
Um deles, Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse que recebeu Flávio em um jantar com banqueiros em sua casa, durante a campanha, já deu entrevista apresentando sua visão para a pasta. “Eu sou contra esse conceito de Posto Ipiranga”, disse na quarta-feira (7) à CNN, em referência ao superministério de Guedes. Na entrevista, contudo, ele fez questão de elogiar o ex-ministro.
O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, atualmente no Nubank, também tem sido citado como possível nome para a Fazenda, mesmo com as críticas feitas à sua gestão pela fiscalização do Banco Master. Alexandre Bettamio, do Bank of America, também está na relação.
Para além da área econômica, o centrão se alinhou ao redor de Flávio durante a semana e, nos bastidores, passou a ventilar nomes de dirigentes para o possível governo. O candidato recebeu apoio oficial de PP, União Brasil, Republicanos e Podemos e deve receber endosso oficial de parte dos diretórios do MDB.
No caso do PP, a senadora Tereza Cristina, que chefiou a Agricultura sob Bolsonaro, já foi citada no noticiário tanto para a Casa Civil quanto para o Itamaraty.
Na Casa Civil, contudo, outro concorrente é o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
No União, o senador eleito Mauro Mendes, ex-governador de Mato Grosso, aparece como outro nome possível para a Agricultura — a pasta também foi citada como possível endereço para Ronaldo Caiado (PSD), que declarou apoio a Flávio.
No Podemos, há expectativa de que o candidato a presidente faça um convite à presidente do partido, Renata Abreu, mas sem definição de pasta. A bancada do partido foi uma das que mais cresceram nesta eleição.
No Republicanos, integrantes da sigla em São Paulo lembraram que um desejo do partido seria a indicação de seu presidente, Marcos Pereira, para o STF (Supremo Tribunal Federal).
Em São Paulo, em conversas com a Folha, auxiliares de Tarcísio deram como certo que ele teria uma cota de indicados em um eventual governo, separada da fatia que couber ao Republicanos. Na segunda-feira (5), logo após a eleição, ele sinalizou que a possibilidade seria concreta. “A gente vai estar sempre pronto para indicar quadros que fazem parte do Governo de São Paulo”, disse Tarcísio à TV Jovem Pan.
Senador mais votado do país, Guilherme Derrite (PP) seria um dos indicados para a Segurança Pública, em caso de separação entre a pasta e o Ministério da Justiça. Renato Feder, secretário da Educação paulista já cotado para o MEC de Bolsonaro, é outro dos citados.
Os outros dois nomes do grupo de Tarcísio são da área econômica e também têm no currículo o trabalho com Guedes: os secretários Samuel Kinoshita (Fazenda) e Caio Paes de Andrade (Gestão), que presidiu a Petrobras.
Para além das alianças partidárias, aliados mais próximos do clã Bolsonaro destacam ainda que a família terá espaço no possível governo —mesmo que, para isso, sejam feitos arranjos que envolvam mudanças na legislação.
O deputado federal Mario Frias —que permaneceu com o grupo em meio à descoberta do financiamento do filme “Dark Horse” com recursos de Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal— é cotado a ir para a Cultura caso Flávio vença. Conforme a Folha publicou, ele já está recrutando integrantes de sua eventual equipe.
Outro nome do grupo é o de Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa que, após o governo, foi executivo da Edge Group, empresa dos Emirados Árabes que adquiriu o controle de empresas bélicas brasileiras. Ele seria a opção para a Defesa. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
