Os ministros do governo Michel Temer admitiram que o rombo nas contas públicas este ano vai superar os 96,6 bilhões de reais previstos atualmente. Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, esse número já é elevadíssimo, mas tudo indica que será ainda maior. Em entrevista coletiva separada da de Meirelles, os ministros do Planejamento, Romero Jucá, da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Saúde, Ricardo Barros também confirmaram que o resultado fiscal ficará negativo em mais de 100 bilhões de reais.
Barros citou, como exemplo, o fato de o governo haver feito a proposta orçamentária contando com a arrecadação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira a partir de maio, o que não se concretizou. Além disso, ressaltou Jucá, a arrecadação não para de cair. Há 230 bilhões de reais em restos a pagar de anos anteriores, cuja quitação concorre com os gastos do orçamento de 2016.
O governo vai precisar também ampliar as despesas para acomodar uma renegociação das dívidas dos Estados. Alguns governadores não têm conseguido pagar a folha salarial e alguns obtiveram, no Supremo Tribunal Federal, liminares para reduzir os pagamentos das dívidas ao Tesouro Nacional. A equipe de Temer sabe que não há saída sem dar um alívio aos Estados. (AE)
