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Efeito do tarifaço: indústria gaúcha de armas concede férias coletivas a dezenas de funcionários

Segmento é um dos mais impactados no RS com a taxação adicional de Donald Trump. (Foto: Arquivo/O Sul)

Com sede em São Leopoldo (Vale do Sinos), a fabricante de armas Taurus já concedeu férias coletivas de 15 dias (prorrogáveis por igual período) a cerca de 40 funcionários desde a aplicação do “tarifaço” de 50% aplicado pelo presidente norte-americano Donald Trump a uma série de produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. O segmento é um dos mais impactados no Rio Grande do Sul com a taxação adicional.

Representantes sindicais foram requisitados para discutir opções. Uma das estratégias adotadas recentemente pela indústria foi a transferência da montagem de uma linha específica de pistolas para a filial da empresa nos Estados Unidos, a partir de setembro. Também constou no plano a antecipação da venda externa de peças e componentes antes que a taxação adicional entrasse em vigor.

A também gaúcha Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), com base em Montenego (Vale do Caí) e que também atua no segmento – é a principal acionista da Taurus – estuda adotar medida semelhante. São quase 500 empregados atuando na empresa, que tem boa parte de sua produção voltada ao mercado norte-americano.

No final de julho, o vice-governador Gabriel Souza se reuniu duas vezes com o presidente da Taurus, Salecio Nuhs. A pauta dos encontros foram ações para atenuar o impacto da taxação imposta horas antes por Trump a a esse e outros segmentos.

Uma das possibilidades avaliadas foi a concessão de auxílio por meio da liberação antecipada dos créditos financeiros acumulados do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) em decorrência da atividade exportadora da empresa.

“O Rio Grande do Sul é um dos Estados mais afetados. Nosso setor de produtos de metal, em que se enquadram as armas-de-fogo, exporta 85,9% de sua produção aos Estados Unidos”, declarou Souza. “Por isso, liberamos uma linha de crédito de R$ 100 milhões, via BRDE [Banco de Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul]”.

Nuhs complementou que cerca de 60% da produção da Taurus – fundada em Porto Alegre no final de década de 1930 – tem como destino o mercado norte-americano. Chamou a atenção, ainda, para o fato de a empesa ser responsável por 3 mil empregos diretos (com uma folha de pagamento mensal em torno de R$ 12 milhões), além de 12 mil indiretos no Rio Grande do Sul. “Essa é uma medida emergencial que vai ajudar nesse momento, mas não resolve o problema”, declarou o executivo no segundo encontro.

Em paralelo, o governo gaúcho manteve uma agenda de tratativas com representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e outras entidades.

(Marcello Campos)

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