A Rússia aumentou as restrições para a carne do Brasil. A autoridade sanitária do país proibiu temporariamente a importação de um frigorífico brasileiro e impôs controles sanitários mais rígidos a outros cinco.
Em 2016, a Rússia foi o quarto maior mercado para a carne brasileira, atrás apenas de China, Hong Kong e Arábia Saudita. O país importou cerca de US$ 1 bilhão do Brasil em 2016, cerca de 7,5% do total.
De acordo com o Serviço Federal de Vigilância Sanitária e Veterinária na Rússia, os controles sanitários serão ampliados para cinco empresas brasileiras. O motivo é que foram encontradas substâncias fora dos padrões sanitários russos. Os frigoríficos são: JBS, Aurora, Frigo Estrela, Frigol Frigon e Irmãos Gonçalves.
A Rússia também suspendeu temporariamente as importações de carne do frigorífico Mata Boi e fará inspeções adicionais nos produtos já embarcados. O frigorífico Frigon informou não ter sido comunicado oficialmente da decisão e “que continua exportando normalmente para a Rússia”. Disse ainda cumprir “rigorosamente com todas as normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura”. As demais empresas ainda não se manifestaram.
Desde a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano, diversos países adotaram medidas restritivas à carne brasileira. Após o escândalo, a UE (União Europeia) trouxe uma equipe de auditoria ao Brasil para inspecionar a carne brasileira. No relatório da missão, a UE apontou que encontrou mais de cem focos de contaminação na carne brasileira, 77 deles devido à presença de salmonella em aves.
A UE ameaçou tomar medidas mais rígidas contra o Brasil se o País não tomasse medidas convincentes. Em junho, os Estados Unidos suspenderam a importação de carne bovina in natura do Brasil por problemas de qualidade. Na ocasião, os produtores disseram que o gado sofreu uma reação à vacina contra a febre aftosa.
Exportações
As exportações brasileiras de carne bovina in natura cresceram em outubro em volume e em receita ante igual mês do ano passado, de acordo com dados divulgados na quarta-feira (1º) pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
Em carne bovina in natura foram exportadas 119,1 mil toneladas, um recorde para o mês de outubro. O volume representa 43% a mais do que as 83,4 mil toneladas registradas em outubro do ano passado e 6% acima das 111,9 mil toneladas embarcadas em setembro de 2017.
A receita somou U$ 503,2 milhões, 41% maior do que os U$ 357,4 milhões obtidos em outubro de 2016 e 7% acima do registrado em setembro deste ano. Já o preço médio recebido pelo produto ficou abaixo do registrado em outubro de 2016 (-1,4%) e em linha com o de setembro de 2017 (0,3%), em U$ 4.225,80 por tonelada.
