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Rússia diz que 959 soldados ucranianos de Azovstal se renderam

Os soldados ucranianos estavam escondidos nos túneis subterrâneos da siderúrgica Azovstal. (Foto: Câmara Municipal de Mariupol)

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou nesta quarta-feira (18) que 959 soldados ucranianos que estavam entrincheirados na siderúrgica Azovstal, na cidade portuária de Mariupol, se renderam desde a última segunda-feira.

“Nas últimas 24 horas, 694 combatentes, incluindo 29 feridos, se renderam. Desde 16 de maio, 959 combatentes, incluindo 80 feridos, se renderam”, disse a pasta em comunicado.

Segundo a nota, pelo menos 51 soldados foram hospitalizados em Novoazovsk, região controlada pelos russos. O destino dos prisioneiros não foi revelado. No entanto, o líder da autoproclamada república de Donetsk, Denis Pushilin, afirmou que um tribunal decidirá o destino dos combatentes ucranianos que se renderam e qualquer um considerado “criminoso de guerra neonazista” deve ser julgado internacionalmente.

“Ainda há muitas pessoas em Azovstal e continuamos a negociar para tirá-los de lá”, disse à BBC a vice-ministra da Defesa ucraniana, Hanna Maliar, afirmando que a operação de resgate na siderúrgica só será concluída quando todos os defensores de Mariupol forem evacuados para os territórios sob controle ucraniano.

Para Maliar, os apelos dos políticos de Moscou para julgar algumas das pessoas retiradas das siderúrgicas por crimes de guerra “provavelmente foram feitos para propaganda interna russa”.

De acordo com a agência russa Tass, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a retirada dos militares que ainda permanecem nos túneis de Azovstal pode ser considerada “apenas se deporem as armas e se renderem”.

Nesta quarta-feira, o Ministério da Defesa da Rússia publicou vídeos que mostram supostos soldados ucranianos recebendo tratamento hospitalar, após tropas russas provocarem a rendição dos militares que estavam sitiados na siderúrgica de Azovstal.

Autoridades ucranianas confirmaram a rendição de mais de 250 combatentes na terça-feira, mas não disseram quantos mais estavam dentro.

O prefeito de Mariupol, Vadym Boichenko, afirmou que o presidente Volodymyr Zelenskiy, a Cruz Vermelha e as Nações Unidas estão envolvidos nas negociações, mas não deu detalhes.

A Rússia se concentrou no sudeste em ofensivas recentes depois de se afastar de Kiev, onde, em mais um sinal de normalização, os Estados Unidos disseram que retomaram as operações em sua embaixada nesta quarta-feira.

“O povo ucraniano… tem defendido sua pátria diante da invasão inescrupulosa da Rússia e, como resultado, a bandeira dos Estados Unidos está na embaixada mais uma vez”, disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken.

Um pequeno número de diplomatas retornará inicialmente para a missão, mas as operações consulares não serão retomadas imediatamente, afirmou o porta-voz da embaixada Daniel Langenkamp.

Canadá, Reino Unido e outros também retomaram recentemente as operações da embaixada.

Mas a rendição na siderúrgica permite que o presidente russo, Vladimir Putin, reivindique uma rara vitória.

Também sinaliza o fim próximo de um cerco de quase três meses à cidade portuária de mais de 400.000 habitantes, onde a Ucrânia diz que dezenas de milhares morreram sob bombardeio russo. As informações são das agências de notícias Ansa e Reuters.

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