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Saiba como em menos de um ano uma ameaça de guerra nuclear se transformou em promessa de paz entre as Coreias

A possibilidade de um cenário apocalíptico passou pela cabeça não apenas do grande público, mas de especialistas. (Foto: Reprodução)

Quando Donald Trump ameaçou a Coreia do Norte com “fogo e fúria” em agosto, o mundo voltou algumas décadas no tempo e se viu, novamente, imerso na possibilidade de um conflito nuclear. O presidente americano afirmou que não seria brando na reação a novos testes feitos pelo regime de Kim Jong-un, que acabara de fazer um novo experimento com seus mísseis capazes de carregar uma ogiva atômica.

Meses depois, na sexta-feira, o próprio líder norte-coreano atravessou a fronteira com o Sul, apertou a mão do presidente sul-coreano Moon Jae-in e sinalizou um provável acordo de paz que ponha fim à guerra que nunca terminou formalmente entre os dois países – além de indicar que não pretende mais realizar testes nucleares.

A possibilidade de um cenário apocalíptico passou pela cabeça não apenas do grande público, mas de especialistas como John Tierney, ex-deputado americano pelo Partido Democrata e atual diretor-executivo do Centro para Controle de Armas e Não-Proliferação, organização sediada em Washington que monitora a corrida armamentista e nuclear mundo afora.

A preocupação, diz Tierney era com o potencial de um gesto descuidado ou mais duro por parte de Trump que fizesse Kim Jong-un entender que seu regime estivesse sob ameaça iminente de ataque. Segundo ele, também havia a chance de alguma reação impensada do líder americano às provocações de Pyongyang. “Em qualquer destes cenários, parecia haver o risco real de que algum dos lados iniciasse uma ação militar que, mesmo limitada, provocaria uma escalada.”

Apesar dos avanços norte-coreanos na área nuclear, no entanto, um ataque atômico direto contra o território americano seria improvável, mas o possível uso de armamento convencional contra alvos na região – como os quase 30 mil soldados dos EUA estacionados na Coreia do Sul – poderia ser o suficiente para confirmar os piores temores à época.

Aperto de mão

Diante deste cenário era difícil imaginar, em meados de 2017, a cena protagonizada por Kim e Moon na Zona Desmilitarizada na sexta-feira: um aperto de mãos, uma reunião amigável e a promessa de encerrar formalmente o conflito ainda neste ano. A “trajetória relâmpago” de um extremo a outro chama atenção, mas não deve ser vista apenas como uma guinada radical ou, ainda, como efeito direto de um punhado de tuítes do presidente americano, segundo Tierney.

Na avaliação de analista, uma possibilidade é que o programa nuclear norte-coreano já tenha evoluído o suficiente para que Kim tenha decidido, agora, voltar seus olhos para tentativas de melhorar a combalida economia do país.

“Analistas, diplomatas experientes e militares parecem acreditar que a habilidade de afirmar que a Coreia do Norte já dominou a miniaturização de ogivas e a tecnologia de mísseis deu a ele (Kim) uma vantagem em negociações e uma licença interna para atacar os desafios econômicos que, em teoria, deveriam estar sendo resolvidos paralelamente ao avanço do programa atômico, mas que na prática não estão melhorando.”

O contexto em que os dois líderes deram os maiores passos em direção à paz em décadas também inclui muitas outras nações além dos EUA de Trump. A construção do encontro entre Kim e Moon, de fato, remonta a anos de diálogos de bastidores e de pressões como a da China, que há muito demonstra sinais de incômodo com a postura provocativa dos aliados norte-coreanos no cenário internacional.

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