Ícone do site Jornal O Sul

Saiba como o Facebook pretende impedir a circulação de notícias falsas

Rede social foi acusada de permitir propagação de notícias falsas postadas principalmente por correligionários de Donald Trump. (Foto: Reprodução)

Ofundador do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou planos para combater a circulação de notícias falsas na rede social. O Facebook foi alvo de polêmica após a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, quando usuários, pesquisadores e colunistas de jornais americanos afirmaram que notícias falsas sobre os candidatos podem ter influenciado a escolha dos eleitores.
Os críticos afirmam ainda que a empresa não toma providências suficientes para impedir que grupos políticos espalhem boatos na rede.

Zuckerberg disse que a empresa “trabalha com esse problema há muito tempo e leva essa responsabilidade a sério”. Mas ele afirmou também que o tema é “complexo, tecnicamente e filosoficamente”, já que o Facebook não quer desestimular o compartilhamento de opiniões ou se tornar um “árbitro da verdade”.
Propostas.

O dono do Facebook disse ainda que a empresa desenvolve sete propostas para combater a desinformação de maneira mais eficiente: desenvolver sistemas técnicos mais eficientes, para detectar o que as pessoas irão denunciar como falso antes que elas façam isso; tornar mais fácil o processo de denúncia a reportagens falsas; fazer parcerias com organizações de checagem de fatos; rotular os links que foram denunciados como notícia falsa e mostrar avisos quando as pessoas lerem ou compartilharem estes links; aumentar a exigência de qualidade para os links que aparecem como “relacionados” na linha do tempo; dificultar o lucro dos sites de notícias falsas com anúncios; trabalhar com jornalistas para aprender métodos de checagem de fatos.

“Algumas dessas ideias irão funcionar e outras não, mas quero que vocês saibam que sempre levamos isso a sério, entendemos a importância deste assunto para nossa comunidade e estamos determinados a resolver isso”, afirmou o empresário.

A controvérsia mostra que, com mais poder, empresas como o Facebook terão suas práticas cada vez mais questionadas, disse o analista de tecnologia Dave Lee. E precisam saber responder a estes questionamentos.

“Há um abismo de prestação de contas entre o que as empresas de tecnologia fazem e o que permitem que o público fique sabendo. Não dá mais para Zuckerberg negar um problema e esperar que as pessoas simplesmente acreditem na palavra dele”, declarou.

“As ambições globais de Zuckerberg dependerão da sua habilidade de ser um político astuto. A polêmica das notícias falsas foi um teste importante e ele não se saiu bem – arrastando o assunto por mais de uma semana.”


Ideia “maluca”.

Zuckerberg chegou a responder às acusações dizendo que a ideia de que notícias falsas na rede social teriam influenciado as eleições era “bem maluca” em uma conferência de tecnologia na Califórnia (EUA). E afirmou, em seu perfil, que 99% do conteúdo noticioso que circula no site é “autêntico”.
Mas após suas declarações iniciais, o site Buzzfeed noticiou que funcionários do Facebook, insatisfeitos com a resposta do fundador da empresa, criaram uma força-tarefa informal para abordar o problema.
O site também publicou um levantamento mostrando que notícias falsas tiveram maior engajamento (participação) no site do que as verdadeiras nos três meses anteriores à eleição.
O número de sites de notícias falsas tem aumentado por causa dos lucros que podem ser obtidos com a venda de anúncios publicitários nestas páginas. Alguns passam do conteúdo humorístico e satírico para invenções mais elaboradas porque acreditam que este conteúdo tende a ser mais compartilhado nas redes sociais – o que, por sua vez, gera mais acesso ao site.
Uma das reportagens mais compartilhadas no Facebook durante o período eleitoral americano, por exemplo, dizia que o papa Francisco declarou publicamente seu apoio a Trump, algo que não ocorreu.
O Google anunciou que atuaria para impedir que sites de notícias falsas ganhem dinheiro através de anúncios em seu buscador. Em seguida, o Facebook fez uma restrição semelhante ao uso de seu sistema de anúncios.

Sair da versão mobile