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Saiba como serão os estudos clínicos da ButanVac, aprovados pela Anvisa

Primeira etapa do estudo incluirá 400 voluntários que receberão duas doses da vacina em um intervalo de 28 dias. (Foto: Governo do Estado de SP)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, na última quarta-feira (9), autorização para ensaios clínicos 1 e 2 da vacina ButanVac, produzida pelo Instituto Butantan. Com isso, após apresentar informações complementares sobre o imunizante, o centro de pesquisa paulista poderá testá-lo pela primeira vez em humanos no Brasil.

“Para a autorização do estudo clínico, a Anvisa e o Butantan realizaram, ao longo dos últimos dois meses, uma intensa troca de informações e de reuniões com o objetivo de que todos os aspectos do estudo estivessem claros e com garantias de segurança aos voluntários”, informou o Instituto Butantan, em comunicado.

— Como serão os testes em humanos?

As fases 1 e 2 de testes são divididas em três etapas: A, B e C. A primeira de todas (A) irá envolver 400 voluntários. Até o fim do ensaio clínico, cerca de seis mil pessoas irão participar do estudo, sendo que somente participantes com idades de 18 anos ou mais serão incluídos.

De acordo com a Agência Brasil, a vacina será aplicada em duas doses com um intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda aplicação. Os testes irão ocorrer no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Ritmo de produção

O início da produção da vacina foi anunciado em abril por Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Na ocasião, o médico disse que ao menos 18 milhões de doses estariam prontas para uso na primeira quinzena de junho, podendo chegar a 40 milhões até o fim do ano.

“Já finalizamos a entrega das 80 milhões de doses do imunizante contra a influenza para o Programa Nacional de Imunizações. A fábrica agora está totalmente disponível para a produção da ButanVac”, anunciou o presidente do Instituto, em coletiva de imprensa realizada em abril.

— Como funciona a ButanVac?

De acordo com o Instituto Butantan, o imunizante utiliza como vetor o vírus da doença de Newcastle, uma gripe aviária que não afeta humanos. Na fabricação da vacina, esse vírus, chamado de APMV-1, é modificado para receber integralmente a proteína spike do coronavírus Sars-CoV-2. Quando o nosso sistema imunológico percebe a presença desse vetor, a produção de anticorpos contra o vírus da covid-19 é estimulada.

O fato da vacina ser feita com ovos embrionados, em um processo similar ao da vacina contra a gripe, aumenta a rapidez na produção do imunizante, sem necessidade de importar insumos de países como Índia e China. A técnica também permite originar um produto eficaz contra novas variantes do Sars-CoV-2, uma vez que se pode escolher de qual cepa será retirada a proteína do vírus.

Segundo o Butantan, estudos pré-clínicos em animais já demonstraram que a nova vacina é mais imunogênica, ou seja, gera uma melhor resposta imunológica.

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