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Saiba o que pesa contra Alexandre de Moraes na relação com Vorcaro, dono do Banco Master

Relatório da PF mostra diálogos que dono do Banco Master (D) teve com ministro do STF (E). (Fotos: Reprodução)

O relatório da Polícia Federal (PF) sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reúne mensagens, registros de encontros e documentos que estão entre os principais elementos considerados no pedido de abertura de uma investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos pontos citados pelos investigadores é a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes nos meses que antecederam a primeira prisão do banqueiro. As conversas foram recuperadas pela PF a partir de celulares apreendidos no âmbito da Operação Compliance Zero. Parte das mensagens utilizava o recurso de visualização única e outras foram apagadas, o que impede o acesso integral ao conteúdo das conversas.

Segundo o relatório, Vorcaro procurou Moraes para pedir orientações sobre as investigações envolvendo o Banco Master e também teria solicitado que o ministro interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Dois dias antes de sua primeira prisão, em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que 2ª tenho que estar fora?”. A mensagem foi enviada antes da prisão do banqueiro, que ocorreu em 17 de novembro, quando ele tentava embarcar em um jato particular com destino à Europa.

Também em 15 de novembro, Vorcaro escreveu a Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”. No dia seguinte, voltou a pedir uma possível intervenção junto ao diretor-geral da PF: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.

Segundo os investigadores, os pedidos indicariam que Vorcaro buscava a atuação de Moraes para tentar interferir no andamento das investigações contra o Banco Master.

Outro elemento apontado pela PF envolve os encontros entre Moraes e Vorcaro. Registros extraídos do celular do banqueiro mostram pedidos de reuniões entre os dois a partir do fim de outubro de 2025. Entre 28 de outubro e 16 de novembro, ao menos 15 mensagens registraram tentativas de encontro. Segundo a investigação, os dois se reuniram nos dias 14 e 16 de novembro, pouco antes da prisão do banqueiro.

A PF também identificou alterações atribuídas a Moraes em um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Os metadados do documento apontam modificações feitas por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

O contrato previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, totalizando R$ 108 milhões. Em valores brutos, o montante chegaria a R$ 131.274.351,72. Segundo dados enviados à CPI do Crime Organizado, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.

Outro ponto identificado pela PF é um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, entre Vorcaro e o escritório de Viviane. Segundo a investigação, o pagamento teria ocorrido por meio da transferência de cotas de duas aeronaves.

A PF também encontrou mensagens relacionadas à emissão de cartões de crédito, em outubro de 2025, com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro. A solicitação teria sido feita pelo escritório Barci de Moraes e encaminhada a Vorcaro.

Os investigadores também apontam encontros anteriores entre Moraes e Vorcaro, incluindo uma reunião no Hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão, em dezembro de 2023. Segundo a PF, o contato ocorreu antes da assinatura do contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de Viviane.

Como apenas os aparelhos de Vorcaro foram periciados, o relatório não permite identificar integralmente o conteúdo das respostas enviadas por Moraes. Ainda assim, a PF afirma ter recuperado registros que indicam respostas do ministro, inclusive mensagens posteriormente apagadas e reações a comunicações recebidas. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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