Durante a audiência que marcou a convocação de Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente Lula, e o empresário Eike Batista para serem ouvidos na CPI do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), chamou atenção a mobilização de parlamentares para poupar os irmãos Joesley e Wesley Batista – sem parentesco com Eike –, controladores da JBS, de prestar informações. A JBS foi a empresa que mais doou a candidatos na campanha de 2014, somando 352 milhões de reais, sendo 69 milhões somente para a presidenta Dilma Rousseff.
De 24 deputados, 16 foram contra a convocação: Aguinaldo Ribeiro (PP-PR), André Moura (PSC-SE), Covatti Filho (PP-RS), Delegado Edson Moreira (PTN-MG), Edio Lopes (PMDB-RR), Fabio Reis (PMDB-SE), Marcelo Squassoni (PRB-SP), Daniel Vilela (PMDB-GO), Mauro Pereira (PMDB-RS), André Fufuca (PEN-MA), Carlos Zarattini (PT-SP), Davidson Magalhães (PCdoB-BA), Diego Andrade (PSD-MG), Paulo Magalhães (PSD-BA), Paulão (PT-AL) e Reginaldo Lopes (PT-MG).
Na semana passada, reportagens davam conta de um “acordão” para livrar os Batista da convocação. Segundo jornais, um arranjo feito com a bênção do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teria adiado a votação de requerimentos para diretores e presidentes de empresas, com a intenção de poupar a JBS. O presidente da comissão, Marcos Rotta (PMDB-AM), negou haver um conchavo.
A JBS é uma das empresas que mais receberam apoio do BNDES. Segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, entre 2007 e 2009 o BNDES investiu 5,6 bilhões de reais na compra de parte do capital da JBS. Hoje, se vendesse ações que ainda tem em carteira (23% do capital), considerando o valor de mercado, poderia embolsar cerca de 11,5 bilhões de reais – um lucro de quase 6 bilhões de reais. À Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente do banco, Luciano Coutinho, disse que a JBS foi “um negócio rentável e vai gerar recursos para novos investimentos em novas empresas”.
