O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que deve ter a sua saída do governo confirmada nesta segunda (18), é o pivô da primeira crise política do governo do presidente Jair Bolsonaro, gerada pela suspeita de que o PSL, partido de Bolsonaro, fez uso de candidatura “laranja” nas eleições de 2018 para desviar verbas públicas.
Bebianno era o presidente nacional do PSL durante a eleição do ano passado. Ele foi uma das figuras mais próximas ao presidente durante a campanha e atuou como um dos conselheiros do então candidato na disputa.
Advogado de formação e faixa-preta em jiu-jitsu, Bebianno tem 54 anos e conheceu Bolsonaro em 2017, quando o presidente ainda era deputado. Nessa época, ele se ofereceu para atuar em processos judiciais de Bolsonaro de graça.
Bebianno ganhou a confiança de Bolsonaro a ponto de dirigir o partido durante a eleição e de acompanhar de perto a recuperação do então candidato após o episódio da facada. Bebianno foi um dos primeiros ministros anunciados pela gestão Bolsonaro.
Cronologia da crise
10 de fevereiro
Reportagem da Folha de S.Paulo aponta repasse de 400 mil reais do fundo partidário do PSL para suposta candidata “laranja” durante as eleições. Gustavo Bebbiano, então presidente do partido, era o responsável formal pelos repasses a candidatos;
12 de fevereiro
O vice-presidente Hamilton Mourão diz que a investigação sobre a candidatura “laranja” é problema do partido: “O presidente pertence ao PSL, mas isso não tem nada a ver com a campanha dele. Então é problema do partido”;
12 de fevereiro
No mesmo dia, ao jornal “O Globo”, o ministro afirma não haver crise no governo e disse ter falado por telefone com o presidente durante sua internação em São Paulo;
13 de fevereiro
Em uma rede social, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, classifica a afirmação de Bebbiano como “mentira absoluta”;
13 de fevereiro
Para sustentar o que chamou de “mentira”, Carlos divulgou uma gravação em áudio do pai na qual ele supostamente conversa por telefone com Bebbiano. A gravação reproduz somente a voz de Bolsonaro: “Ô Gustavo está complicado eu falar ainda. Então, não vou falar, não vou falar com ninguém, a não ser o estritamente o essencial”;
13 de fevereiro
Mais tarde, Bolsonaro compartilha nas redes sociais as mensagens postadas pelo filho sobre Bebbiano;
14 de fevereiro
Bebbiano divulga nota para afirmar que não era o responsável pela escolha de candidatas de Pernambuco que receberam dinheiro do PSL nas eleições de 2018;
15 de fevereiro
Bolsonaro e Bebbiano se encontram pela primeira vez depois do episódio, reservadamente;
15 de fevereiro
Interlocutores do governo afirmam que situação do ministro é insustentável;
16 de fevereiro
Bebbiano posta em redes sociais: “O desleal, coitado, viverá sempre esperando o mundo desabar na sua cabeça”;
17 de fevereiro
Blog do Camarotti noticia que ministro fez desabafo a interlocutores do governo: “Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco”.
