Segunda-feira, 25 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral Saiba quem era o brasileiro que matou a esposa a tiros, se tornou serial killer nos Estados Unidos e morreu em acidente aéreo

Compartilhe esta notícia:

Brasileiro Roberto Fernandes foi identificado como o responsável pela morte de três mulheres na Flórida. (Foto: Reprodução)

Na madrugada do dia 18 de novembro de 1996, vizinhos de um prédio na Rua Piauí, 61, em Londrina (PR), ouviram gritos e o barulho de objetos arremessados, por volta de 1h30min. Em seguida, escutaram o som de pelo menos seis disparos. O piloto Roberto Wagner Fernandes, à época com 31 anos, havia matado a esposa, a professora Danyelle Bouças Fernandes, de 27 anos, com dois tiros de uma pistola Taurus semiautomática. Em seguida, fugiu de carro com a filha do casal, de 5 anos, nos braços.

Começava ali a história de um homem que, por ter se livrado no Brasil de uma acusação de feminicídio alegando legítima defesa, e mesmo acusado de ter tentado matar outra mulher, teve condições de assassinar outras três na Flórida, nos Estados Unidos. Morto em 2005, é investigado como serial killer nos Estados Unidos.

O anúncio foi feito no último dia 31 pela polícia do condado de Broward, na Flórida. Ao fim de uma investigação que durou mais de 20 anos, Fernandes, depois da exumação do corpo feita entre o fim do ano passado e o início deste ano, que permitiu a coleta de seu DNA, foi confirmado como autor dos assassinatos de três mulheres no início dos anos 2000: Kimberly Dietz-Livesey, de 35 anos, Sia Demas, de 21 anos, e Jessica Good, de 24 anos. Duas delas foram espancadas até a morte. Jessica foi esfaqueada.

O padrão dos crimes é típico de um assassino em série. Todas eram prostitutas com um histórico de dependência de drogas.

É esse perfil que conecta o fim da carreira de crimes de Fernandes ao seu início. Há 25 anos, acusado pela morte da mulher, o paranaense não só alegou legítima defesa, como disse que Danyelle teria ameaçado matá-lo com um revólver após ter atendido um telefonema de uma garota de programa com quem ele havia tido um caso. Poucos dias após o crime, a prostituta foi à Delegacia de Polícia Civil do município e, segundo depoimento reproduzido pelo jornal Folha de Londrina à época, contou que Fernandes a agrediu e tentou afogá-la em uma banheira de hidromassagem de um motel.

“Ele cheirou muita cocaína, tomou uísque e me deu garrafadas na cabeça, socos e pontapés”, contou à polícia a garota de programa, na época com 24 anos. Ela relatou que estava na hidromassagem quando Fernandes a atingiu com a garrafa e tentou afogá-la, segurando-a pelo pescoço. “Nem sei explicar como saí de dentro daquela hidromassagem”, disse em seu depoimento.

A garota de programa acrescentou que se defendeu com beliscões e que o então piloto só parou quando ela conseguiu abrir a porta do apartamento. “Ele se acalmou, pediu para que eu vestisse a roupa nele e saímos calmamente do motel. Eu nem quis fazer reclamação na portaria, com medo de ser agredida novamente”, admitiu.

A testemunha explicou que ligou para a casa de Fernandes porque ficou desconfiada da autenticidade do cheque com que ele pagou o encontro, da companhia aérea em que na época o assassino trabalhava.

Levado à Justiça pelo assassinato da mulher, Fernandes alegou “falta de provas” e de testemunhas que fossem contra sua tese de legítima defesa e acrescentou que Danyelle estava descontrolada, bêbada, sob efeito de remédios e agindo injustificadamente. Além de inculpar a vítima do homicídio, a defesa também procurou desqualificar o depoimento da prostituta.

O piloto acabou absolvido, o que revoltou a família de Danyelle. Segundo os investigadores, o resultado nos tribunais teria inclusive motivado os parentes a contratarem um pistoleiro para executar Roberto.

Sob ameaça, e com a intenção de deixar o passado para trás, Fernandes decidiu ir para os Estados Unidos, depois de várias viagens entre os dois países entre 1996 e 1999. Na Flórida, começou a trabalhar como motorista para uma empresa de turismo e, também, como comissário de bordo no Aeroporto Internacional de Miami. Foi num curto período, entre 1999 e 2001, que a polícia americana afirma que o brasileiro violentou e matou as três mulheres. No dia 1º de setembro de 2001, quase que imediatamente após assassinar a última das vítimas, ele fugiu de novo para o Brasil.

O material genético encontrado nas três só seria combinado anos depois. O DNA de Roberto não constava de bancos de dados nos Estados Unidos, nem suas impressões digitais. Mas em 2011, digitais colhidas de Fernandes nas investigações do assassinato de sua mulher ajudaram a finalmente chegar ao piloto. Os investigadores foram ao Brasil, mas descobriram que Fernandes havia morrido seis anos antes quando pilotava um avião rumo ao Paraguai.

Em 13 de dezembro de 2005, Roberto estava no comando de um bimotor Cessna 310 da Argentina mas perdeu o controle do aparelho, que caiu em um grande pantanal em Misiones, município 300 quilômetros ao sul de Assunção. Ele morreu aos 40 anos. Entre os destroços brancos e vermelhos do avião, a polícia encontrou 15 galões de gasolina, de 40 litros cada um, uma indicação de Fernandes tinha a intenção de continuar se deslocando. As informações são do jornal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Entenda em quatro pontos a nova lei antiaborto do Texas e como ela pode afetar outros Estados
Gestante não tem estabilidade ao fim do contrato temporário de trabalho; entenda a decisão do Tribunal Superior do Trabalho
Pode te interessar