A saída de dólares do País superou o ingresso da moeda norte-americana em 4,3 bilhões de dólares no mês de junho, informou o BC (Banco Central) nessa quarta-feira.
Essa foi a maior retirada mensal de recursos para um mês fechado desde fevereiro, quando 4,57 bilhões de dólares saíram do Brasil.
A evasão de divisas acontece após a nova etapa da crise política, que teve início em 17 de maio, com denúncias de executivos do frigorífico JBS envolvendo o presidente Michel Temer. Além das denúncias, a PGR (Procuradoria-Geral da República) também denunciou Temer por crime de corrupção passiva.
No acumulado do primeiro semestre deste ano, porém, os ingressos da moeda norte-americana superaram as retiradas de recursos do País em 7,47 bilhões de dólares. No mesmo período do ano passado, 10,4 bilhões de dólares haviam sido retirados do Brasil.
Impacto no dólar
A saída de dólares favorece, em tese, a alta da moeda em relação ao real. Isso porque, com menos dólares no mercado, seu preço tenderia a subir.
Na parcial de junho, de fato, o dólar registrou alta. No fim de maio, a moeda norte-americana estava em R$ 3,23 e, no final de junho, foi cotada a R$ 3,31 – com alta de 2,36%.
Segundo analistas de mercado, além do fluxo de dólares, outros fatores influenciam a cotação da moeda, como o cenário político interno e também externo, além da alta dos juros nos EUA, que tende a atrair capital para aquela economia.
Nessa quarta-feira, o dólar operou em alta ante o real, acompanhando o cenário externo, mas o movimento era contido pela vitória do governo na véspera com a aprovação da urgência para votação da reforma trabalhista no Senado.
A expectativa é de que a reforma trabalhista seja aprovada no Senado na próxima semana. O mercado já embutiu nos preços a aprovação dessa reforma, mas o foco principal é o andamento da reforma da Previdência, considerada essencial para colocar as contas públicas do país em ordem.
Interferência do BC
Outro fator que influencia a cotação do dólar são as operações de swap cambial, que funcionam como uma venda futura de dólares, ou de “swaps reversos”, que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro.
Nestas operações, o BC faz oferta de dólares para tentar controlar a cotação da moeda e impedir grandes oscilações. Além disso, essas operações servem para oferecer garantia (hedge) a empresas contra a valorização do moeda.
Nesta sessão, o Banco Central não anunciou qualquer intervenção no mercado de câmbio, por enquanto.
Em agosto, vencem US$ 6,181 bilhões em swap cambial tradicional – equivalente à venda futura de dólares.
O swap cambial é um derivativo que relaciona as variações na taxa de câmbio com a taxa de juros em um determinado período. De forma simplificada, o BC é ganhador quando o dólar cai e perdedor quando a moeda americana sobe ante o real.
Os swaps não são feitos para o BC ter ganhos ou perdas, mas são uma forma de oferecer proteção cambial ao mercado e de prover liquidez em momentos de instabilidade, preservando as reservas internacionais.
