O governo do Estado e a prefeitura de Santa Maria divulgaram na sexta-feira o Boletim de Investigação de Surto da Toxoplasmose. Conforme o documento, até o momento, Santa Maria já contabiliza 1.116 casos notificados. Desse total, 460 foram confirmados, após contraprova, como positivos para a doença; 140 foram descartados; e 166 seguem em investigação.
Os casos confirmados são, em sua maioria, do sexo feminino (65,4%), com faixa etária de 20 a 39 anos (47,4%). A mediana de idade é de 34 anos, sendo a menor 48 dias e a maior, 84 anos. Os bairros com os maiores números de casos são: Tancredo Neves, com 22,4% (103/460), seguido dos bairros Parque Pinheiro Machado com 11,1% (51/460) dos casos e Urlândia com 9,6 (44/460).
Em relação à incidência de casos confirmados por bairro, aqueles de maior incidência são: Tancredo Neves com 899,1 casos/100.000 habitantes, Divina Providência, com 890,9 casos/100.000 habitantes e Cerrito, com 798,6 casos/100.000 habitante. Dos 460 casos confirmados, 100% residem em Santa Maria.
Bairros com causos confirmados
Segundo a prefeitura de Santa Mariam, foram confirmados casos nos bairros: Boi Morto, Bonfim, Camobi, Carolina, Caturrita, Centro, Cerrito, Chácara das Flores, Diácono João Luiz Pozzobon, Divina Providência, Dom Antônio Reis, Duque de Caxias, Itararé, Juscelino Kubitschek, Lorenzi, Noal, Nonoai, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora Medianeira, Nova Santa Marta, Passo d’Areia, Patronato, Pinheiro Machado, Presidente João Goulart, Salgado Filho, São João, São José, Tancredo Neves, Tomazetti, Uglione, Urlândia.
Reunião de trabalho
Dezenas de representantes de setores municipais, estaduais e federais, ligados à área da Saúde e afins, participaram, na manhã de sexta-feira (25), de uma reunião de trabalho onde foi debatido o surto de toxoplasmose registrado na cidade. A atividade contou com a participação de representantes do Escritório no Brasil do Centro de CDC (Controle e Prevenção de Doenças), que se uniu à equipe que já atua no município para auxiliar no trabalho de investigação.
A reunião de trabalho foi realizada por meio de mesas de debates, com autoridades locais e regionais, além de especialistas de universidades do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Londrina. Entre os assuntos abordados estiveram a apresentação dos resultados preliminares da investigação do surto, com a descrição dos casos, os números confirmados até em 18 de maio, os dados referentes à água e os tipos de análise feitas na rede de abastecimento e outros locais do município, além das ações implementadas pelo município e Estado, com apoio do EpiSUS (Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde).
Na oportunidade, a equipe apresentou a caracterização demográfica dos casos na cidade, bem como a distribuição por bairros (a maioria está concentrada na Região Oeste da cidade). O superintendente da Vigilância em Saúde do município, Alexandre Streb, destacou o trabalho da equipe para agilizar a busca pela identificação das causas do surto, tendo aplicado cerca de 400 questionários com a população que apresentou os sintomas e na qual foi identificada a doença.
Seguindo a roda de trabalho, foram apresentados dados referentes à prevalência da Toxoplasmose no Brasil e no mundo, os marcos históricos e as ações realizadas, os protocolos estabelecidos, além de ser ressaltada a importância do trabalho interdisciplinar para que se possa chegar a resultados eficientes. Ainda, foram detalhados os fluxos de atendimento adotados em Santa Maria – questões referentes a primeiro atendimento e encaminhamentos para especialistas –, além da atenção dispensada às gestantes. Ainda, foram tratados também questões referentes a sintomas, tempo de duração e tratamento para pacientes normais ou mais debilitados e gestantes.
“Já temos experiências no Brasil que nos capacitam para o que estamos enfrentando aqui. Tudo que está sendo feito aqui, está no caminho do que deveria ser feito. Esse surto enfrentado aqui tem muito a contribuir. E o trabalho intersetorial é fundamental”, destacou a professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Lilian Bahia, que integra a Rede Toxo Brasil (Rede Brasileira de Pesquisa em Toxoplasmose).
Também participaram da roda de debates profissionais da Secretaria de Saúde de Santa Maria, do CEVS (Centro Estadual de Vigilância em Saúde), do CDC, do Ministério da Saúde, do EpiSUS, da SES (Secretaria Estadual da Saúde), da 4ª Coordenadoria de Saúde, do Vigiágua (Programa Nacional de Vigilância da Água para Consumo Humano), do Husm (Hospital Universitário de Santa Maria), da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), da UEL (Universidade Estadual de Londrina).
