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São Paulo se aproxima de 55 mil casos de coronavírus e prevê piora nos próximos 15 dias

Não faltam leitos no Estado, mas um a cada cinco internados em UTI morrem. (Foto: Governo de São Paulo)

O Estado de São Paulo se aproxima da marca de 55 mil infectados pelo coronavírus e o número de casos tende a aumentar nas próximas semanas, segundo Dimas Covas, diretor do Instituto Butantã e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado. A quantidade de infectados já supera a população de 516 dos 645 municípios paulistas.

O número de infectados no Estado já é maior que cidades como Campos do Jordão, que tem 51 mil habitantes. A expectativa em relação ao avanço da doença tem como base a taxa de isolamento, que se mantém abaixo de 50%. Na Grande São Paulo, o índice ficou em 48% na quarta-feira (13). No interior do Estado, em 47%.

“Os números de hoje refletem o que aconteceu duas semanas atrás, quando o isolamento era maior do que o que temos visto nos últimos 15 dias”, afirmou Covas.

São Paulo chegou nessa quinta (14) a 54.286 casos, com 3.189 registros num único dia. É quase o dobro dos 28.698 infectados registrados no fim de abril. Em um único dia, 197 pessoas morreram, elevando os óbitos para 4.315.

Paulo Menezes, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do Estado, alerta que o problema não está apenas na existência ou não de leitos de UTI e respiradores para atender os pacientes. Até agora não faltaram leitos e equipamentos, mas as mortes continuam em alta.

A taxa de morte entre as pessoas que precisam ser internadas em UTI chega a 20%.

“Um a cada cinco internados em UTI, um não volta para a casa. Das pessoas que tiveram covid-19 no Estado, 8% morreram e não foi por falta de leito de UTI”, afirmou. “A cada dia que passa, entendemos que a doença é mais grave. O vírus é mais agressivo do que parecia no início da pandemia”, completou.

A covid-19, segundo Menezes, causa uma doença sistêmica e não somente uma doença pulmonar, como se imaginava. “A doença é mais grave do que as pessoas estão imaginando. O isolamento social não é só em função de dar tempo para a gente ter leitos com respiradores. Mas ele é a única coisa que podemos fazer para evitar que as pessoas peguem o vírus que causa, em parte delas, uma doença muito grave e que pode vir a óbito ou causar lesões irreversíveis ou com sequelas que, depois que a pandemia passar, vão continuar trazendo um impacto na vida das pessoas e da sociedade como um todo”, explicou.

Parte dos pacientes de covid-19 que recebem alta também fica com sequelas. A doença ataca, além dos pulmões, os rins e, segundo o médico, muitos que tiveram alta terão de continuar a fazer hemodiálise.

O governo de São Paulo atribuiu ao esforço do isolamento social a redução da participação do Estado no número de infecções e mortes no País. No dia 1º de abril, o Estado representava 44% dos casos registrados no Brasil. Na quarta-feira, o percentual era de 27%. Das mortes por covid-19 no País, 31% ocorreram em São Paulo.

 

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