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“Se Hillary Clinton fosse um homem, não teria 5% dos votos. E o mais lindo é que as mulheres não gostam dela”

Donald Trump busca apoio entre as mulheres. Elas preferem Hillary Clinton. (Crédito: Reprodução)

Donald Trump instaurou uma guerra dos sexos com Hillary Clinton no momento em que os dois se fortalecem como prováveis candidatos na corrida para ser dono de casa – a Branca, no caso. “Acho que a única carta que ela tem é ser mulher”, disse ele, após vencer prévias republicanas e a potencial adversária ganhar a rodada democrata.

“Se Hillary Clinton fosse um homem, não teria 5% dos votos. E o mais lindo é que as mulheres não gostam dela.” A ex-secretária de Estado rebateu o argumento. “Se lutar por mais assistência médica, licença-maternidade e salários iguais é sacar a ‘carta da mulher’, estou dentro.” Na sequência, Trump louvou seu próprio desempenho com o eleitorado feminino (“grandes marcas!”) e disse que seus ataques a Hillary eram “muito verdadeiros”.

Republicanos temem a rejeição feminina a Trump, que já chamou de “canhão” jornalistas, apresentadoras e políticas em seu caminho. Outro tabu: mulheres devem ser punidas se abortarem, disse o homem que, há 17 anos, defendeu autonomia feminina sobre o corpo. A sugestão pegou mal até entre o público conservador, e Trump recuou, pedindo criminalização só de médicos.

Tática de Trump intriga especialistas.

A tática de usar o gênero contra Hillary intriga especialistas, pois apela ao público já cativo do empresário: o homem branco conservador. Segundo Trump, porém, é um engano chancelar as credenciais feministas de Hillary. Em janeiro, ele publicou um vídeo em uma rede social: enquanto a democrata diz que “direitos das mulheres são direitos humanos”, uma montagem apresenta “Hillary e seus amigos”.

São antigos cabos eleitorais envolvidos em escândalos sexuais, como o comediante Bill Cosby, o ex-deputado Anthony Weiner (que publicou no Twitter uma foto sua de cueca) e, por fim, seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, que sobreviveu a um impeachment após mentir sobre o caso com a estagiária Monica Lewisnky. Para John Aldrich, professor da Universidade Duke, Trump pode achar que “já se prejudicou tanto com as eleitoras que não tem a perder”. Por isso, antes de a campanha começar para valer, tenta ver que ataques funcionam. E Hillary tem um calcanhar de aquiles, apesar de seu bom desempenho com as mulheres mais velhas: as jovens. “Elas não apoiam Trump, mas os jovens tendem a ser menos dispostos a ir às urnas [o voto no país é facultativo].” Se o tiroteio verbal de Trump lhe tiver serventia, diz Aldrich, será a de “incentivar as garotas” a não “esquecerem” de votar em novembro. (Folhapress)

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