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Brasil “Se o Congresso aprovasse, eu vetaria”, disse a presidenciável Marina Silva sobre a descriminalização do aborto

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"Eu sou contra o aborto, não acho que é a melhor forma de encarar o problema de uma gravidez indesejada e defendo que se tenha planejamento familiar, que se oriente as pessoas", disse a presidenciável. (Foto: Agência Brasil)

A candidata Marina Silva (Rede) admitiu nesta quarta-feira (19) que, caso o Congresso aprove a descriminalização do aborto sem um plebiscito, ela vetaria a medida. A ex-senadora, que sempre defendeu que todos os brasileiros decidam sobre o tema, não tinha explicitado qual seria sua posição se uma lei fosse aprovada por iniciativa própria dos deputados.

A ambientalista participou de entrevista promovida pela revista Veja, em São Paulo. Uma pergunta da plateia questionou Marina especificamente sobre qual seria sua posição caso o Congresso Nacional aprovasse uma lei ampliando os casos em que o aborto não é considerado crime. A princípio, Marina desconversou:

“Eu sou contra o aborto, não acho que é a melhor forma de encarar o problema de uma gravidez indesejada e defendo que se tenha planejamento familiar, que se oriente as pessoas. Se for para ampliar além disso (hipóteses atuais de aborto legal), defendo que seja por um plebiscito. Que 500 deputados não substituam milhões de brasileiros”, disse.

No entanto, quando indagada diretamente sobre qual seria sua posição nesse caso, Marina afirmou que vetaria uma lei de iniciativa própria dos parlamentares, sem passar pela aprovação da população.

“Se o Congresso decidir, eu vetaria. Se o Congresso decidir. Se for um plebiscito, acho que é uma decisão soberana”, afirmou, destacando que o Brasil é um país democrático e o Estado é laico.

Queda nas pesquisas

Marina atribuiu a sua queda nas pesquisas à consolidação do cenário eleitoral. Segundo a candidata, seu desempenho inicial (chegou a ter 16% das intenções de voto) era em um panorama que não tinha uma candidatura do PT, já que o ex-presidente Lula ainda tentava ser candidato. Com a entrada de Fernando Haddad na disputa, o eleitor poderá escolher seus candidatos.

“Agora nós temos a realidade do processo político com todas as candidaturas postas. E eu e Eduardo estamos partindo de um patamar excelente para poder dialogar com os brasileiros e brasileiras nos próximos 17 dias”, disse.

A senadora também comentou a proposta atribuída ao economista Paulo Guedes, conselheiro e eventual ministro da Fazenda de um governo Bolsonaro, da recriação da CPMF. Marina disse ser contrária ao retorno do tributo.

Durante a sabatina, questionada se aceitaria abrir mão de sua candidatura em prol de uma coalização de centro, a ex-senadora disse que existe um desejo em fazer da eleição uma decisão plebiscitária e defendeu que os eleitores devem votar nos seus candidatos dos sonhos no primeiro turno. Questionada diretamente, no entanto, Marina evitou negar essa possibilidade.

A candidata caracterizou o atual cenário, que coloca Bolsonaro e PT no segundo turno, seria a escolha entre o autoritarismo de direita e o autoritarismo de esquerda. Marina, no entanto, foi mais crítica das propostas de Bolsonaro. Perguntada sobre o que seria mais nocivo entre Bolsonaro e Haddad, respondeu que o melhor seria o cenário em que os brasileiros “assumam a responsabilidade de que a violência não constrói nada”.

“Uma eleição em dois turnos é para que a gente não se curve ao pensamento autoritário de querer decidir em primeiro turno”, disse.

 

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