Apesar de o MPF (Ministério Público Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) não terem dúvidas de que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu propina no esquema de corrupção na Petrobras, lacunas persistem para uma condenação. A chave para preenchê-las pode estar nas mãos operador do PMDB na Petrobras, Fernando “Baiano” Soares, preso em Curitiba (PR).
Não por acaso, os procuradores federais já negociam um acordo de delação premiada com o lobista. Se ele decida falar ou mesmo revelar provas, o destino de Cunha pode estar selado.
Conforme o também lobista Júlio Camargo, delator da Operação Lava-Jato, a indústria coreana Samsumg pagou suborno, entre 2006 e 2011, em troca de contratos de aluguel de navios à estatal. O delator diz ter recebido o dinheiro e repassado uma parte a Baiano, que por sua vez encaminhava uma fração a Cunha. Em retaliação, o deputado teria se valido de requerimentos de informação apresentados por aliados políticos, como forma de pressionar as empresas envolvidas a retomarem o pagamento de comissões.
Requerimentos
A denúncia conta com um indício concreto: os requerimentos foram apresentados, a partir de um computador do gabinete de Cunha, pela então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ).
Camargo também diz ter se encontrado com Cunha e Baiano em um escritório no Rio de Janeiro, a fim de tratar da retomada das propinas. O fato já foi confirmado pelo rastreamento de antenas de telefonia celular e arquivos de um estacionamento no bairro do Leblon. Cunha estaria no carro de Baiano.
Os supostos pagamentos a Cunha, em dinheiro, ainda não estão mapeados. Ao refazer o caminho do dinheiro, a Lava-Jato obteve documentos sobre a cadeia de repasses, mas somente até Baiano. Por enquanto. (Marcello Campos com agências)
