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Se o PIB cresce, saiba por qual motivo o desemprego e a fome continuam altos

A maior proporção de famílias nessa situação está nas regiões Norte e Nordeste do País. (Foto: Reprodução)

O Produto Interno Bruto (PIB), indicador usado para medir a atividade econômica do país, cresceu 1,2% no primeiro trimestre de 2021, em comparação com o último do ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado, divulgado no início do mês, foi o terceiro positivo após o tombo do segundo trimestre de 2020.

Além disso, na última quarta-feira, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado disse acreditar que o PIB cresça 4,2% este ano, podendo ter um avanço de até 5,4%. Apesar do otimismo, especialistas alertam que é ainda é muito cedo para comemorar. Os cálculos podem não refletir a realidade.

Quem anda pelas ruas vê que o total de vendedores de balas em sinais de trânsito aumentou. Cresceu também o número de pedintes, assim como o volume de desempregados. Nos mercados, alimentos da cesta básica, do arroz ao óleo de soja, estão caríssimos. Com os recentes aumentos no preço do gás, há quem tenha começado a cozinhar com lenha por falta de dinheiro para o botijão. Mas, se a situação está ruim para uma grande parcela da população, por que motivo os indicadores da economia refletem um cenário positivo?

Apesar de ser um indicador de crescimento, o PIB não considera dados de desenvolvimento, como distribuição de renda e investimento em educação, entre outros. Ricardo Macedo, professor de Economia do Ibmec/RJ, explica que a recuperação da economia tem sido puxada por setores que se beneficiaram do modelo remoto, por exemplo o de logística. As exportações também têm tido bons resultados: com real desvalorizado, quem vende para fora do país lucra mais.

“A grosso modo, a economia tem sido puxada pelos setores que conseguiram se adaptar”, analisa Macedo, que ainda acrescenta: “Porém, ela só vai voltar a crescer de forma sustentável com a vacinação, que vai ser quando as pessoas vão se sentir seguras para sair de casa, e as atividades tenderem a voltar a uma certa normalidade”.

A economista do C6 Bank, Cláudia Moreno, concorda. Ela acredita em uma recuperação mais consistente da economia a partir do último trimestre deste ano, já que o governo espera imunizar com a primeira dose, pelo menos, toda a população acima de 18 anos até outubro.

“Tivemos o surgimento de vacinas, e o mundo começou a se recuperar. Ainda vejo risco em relação à pandemia no Brasil, devido ao alto número de casos, mas acho que temos uma perspectiva favorável à frente.”

Otimismo por comparação inadequada

Se compararmos o PIB de abril deste ano com o do mesmo mês de 2020, nota-se um crescimento expressivo de 12,3%. No entanto, para Claudio Considera, pesquisador associado do FGV IBRE, igualar os períodos é a mesma coisa que confundir banana-d’água com banana-da-terra. Embora o produto seja o mesmo, as variedades são diferentes.

“Esses dados devem ser examinados com mais cautela. As sazonalidades mudaram por causa da pandemia. Abril do ano passado foi o fundo do poço, com fechamento de todo o comércio, com isolamento mais rígido. É claro que assim vamos ter um resultado espetacular. Mas, quando você olha o mês contra o mês imediatamente anterior, observa taxas cada vez menores”, alerta o pesquisador.

De acordo com o Monitor do PIB da FGV, divulgado em 16 de junho, a atividade econômica em abril teve retração de 0,7% em relação a março. Se a análise mantivesse o padrão sazonal do ano de 2019, ou seja, considerando que o Natal cai sempre em dezembro e o dia das mães em maio, por exemplo, a taxa de variação em abril de 2021 seria de -1,5%, ainda pior, por exemplo, a taxa de variação em abril de 2021 seria de -1,5%, ainda pior.

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