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Sem a “derrota decisiva” esperada por Trump, Irã se vê mais empoderado do que antes da guerra

Trump afirmou ter enviado um plano de cessar-fogo a Teerã e chegou a declarar que os Estados Unidos teriam vencido o conflito. (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sinalizado crescente impaciência com os rumos do conflito iniciado há quase um mês contra o Irã. Nos últimos dias, alternou declarações sobre o avanço das operações militares, ameaças de novos ataques e menções a negociações de paz. Apesar disso, autoridades iranianas negam a existência de diálogo direto e rejeitam propostas apresentadas por Washington.

Na terça-feira, Trump afirmou ter enviado um plano de cessar-fogo a Teerã e chegou a declarar que os Estados Unidos teriam vencido o conflito. A resposta iraniana, no entanto, foi de resistência. O governo local sustenta que eventuais contatos ocorrem apenas por meio de intermediários e não configuram negociações formais.

Desde o início da ofensiva, há cerca de quatro semanas, o Irã tem sido alvo de milhares de ataques conduzidos por forças americanas e israelenses. Os danos atingem instalações militares, infraestrutura civil e unidades do setor de energia. Também houve baixas entre integrantes da cúpula do regime, incluindo líderes militares e membros da Guarda Revolucionária.

Apesar disso, analistas avaliam que o país não demonstra sinais claros de colapso. O cientista político Robert Pape afirmou, em entrevista à imprensa internacional, que, embora as operações tenham sido eficazes do ponto de vista tático, o Irã mantém capacidade de reação e adaptação.

Um dos objetivos centrais das ofensivas — conduzidas pelos EUA e por Israel — era reduzir drasticamente o arsenal de mísseis e drones iranianos. Autoridades americanas e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chegaram a afirmar que essas capacidades teriam sido enfraquecidas de forma significativa. Ainda assim, ataques com mísseis e drones continuam sendo registrados, ainda que em menor volume e com maior precisão, segundo especialistas.

Outro ponto de tensão permanece no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia. A passagem segue sob forte controle iraniano, com restrições à circulação de petroleiros e navios de gás. A região é monitorada por embarcações rápidas, drones e, segundo relatos, minas navais. O bloqueio tem impacto direto sobre os preços internacionais do petróleo e aumenta a pressão sobre os mercados globais.

A possibilidade de uma escalada militar mais ampla também segue no radar. O Comando Central dos Estados Unidos informou que mantém cerca de 50 mil militares na região do Oriente Médio. Embora a Casa Branca negue planos de invasão, há especulações sobre uma eventual operação terrestre em áreas estratégicas, como a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã.

Antes do conflito, o país enfrentava pressões internas, como sanções econômicas e protestos. Ainda assim, a guerra parece ter reforçado o discurso de resistência do regime, que mantém controle sobre as forças de segurança e rejeita concessões às demandas americanas, incluindo propostas relacionadas ao programa nuclear e ao desenvolvimento de mísseis.

No cenário atual, não há sinais concretos de um acordo iminente. Enquanto os Estados Unidos indicam disposição para negociar, o Irã mantém a estratégia de resistir, preservar sua soberania e sustentar o controle sobre rotas estratégicas, mesmo diante da pressão militar e econômica.

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