Um novo capítulo da polêmica se iniciou quando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou a abertura de investigação sobre a origem da covid. Enquanto isso, sem alarde, pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan, na China, anunciaram a descoberta de um novo ramo na árvore evolutiva dos coronavírus de morcegos. Todos são parentes distantes do Sars-CoV-2, responsável pela atual pandemia.
O anúncio ocorre num momento em que a China e seus cientistas, em especial os de Wuhan, são acusados de ocultar dados sobre a origem da pandemia. Wuhan é a cidade chinesa onde foram registrados oficialmente os primeiros casos de Covid-19, em dezembro de 2019.
Um suposto relatório secreto americano divulgado pela mídia dos EUA traria indícios, sem apresentar provas, de que o Sars-CoV-2 poderia ter escapado do laboratório de Wuhan. Na quarta-feira, o presidente Joe Biden ordenou mais investigações sobre o caso, trazendo para a esfera política a questão científica. Vale lembrar que uma investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS) terminou em março sem conclusões relevantes. Por isso, um grupo de cientistas pediu em carta na revista Science mais acesso aos laboratórios da China.
A polêmica é pano de fundo de disputas entre os EUA e a China, mas pode ter consequências, algumas delas nefastas, sobre o combate da pandemia.
Os vírus apresentados semana passada, de oito tipos ao todo, foram coletados em 2015, nas mesmas cavernas da província de Yunnan, no sul do país, onde se supõe que tenha surgido o ancestral do Sars-CoV-2.
Os chineses não esclareceram porque só resolveram apresentar seus achados agora. Mas a decisão foi vista como uma resposta à falta de transparência.
No estudo ainda sem revisão por pares e publicado apenas no repositório de dados bioRvix, os cientistas de Wuhan dizem que coletaram cerca de 1.000 amostras de morcegos de uma caverna usada para a mineração, durante três anos. A caverna foi investigada depois que mineiros começaram a adoecer de uma doença misteriosa. Testes posteriores mostraram não se tratar do Sars-CoV-2 e sua doença, a Covid-19.
Porém, nove coronavírus foram identificados, todos da mesma categoria já associada a síndromes respiratórias agudas graves. Um deles foi chamado de RaTG13 e descrito na Nature, em fevereiro. Trata-se do parente mais próximo do Sars-CoV-2 já encontrado. Os outros oito foram descritos agora e não são tão aparentados assim, embora tenham regiões em seu genoma assemelhadas.
O anúncio só veio alimentar a certeza de que as investigações sobre a origem da pandemia estão longe de terminar.
