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Sem máscara: saiba o que pensam os médicos sobre as leis que flexibilizam o uso do acessório

Sem uso de máscara, discussão sobre vacina é ainda mais importante. (Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Governo de Santa Catarina)

A melhora nos indicadores da pandemia associada ao aumento da taxa de vacinação – atualmente, mais de 53% da população brasileira está totalmente imunizada – trouxe à tona a discussão sobre a flexibilização do uso de máscaras. Recentemente, os governos do Distrito Federal e do Rio de Janeiro decidiram suspender a obrigatoriedade da medida preventiva ao ar livre. No DF, a decisão passa a valer na próxima quarta-feira. No Rio de Janeiro, a lei que desobriga uso da máscara começou a valer na quinta-feira.

É consenso universal que o Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, é transmitido principalmente pelo ar. Ou seja, a via predominante de infecção é a inalação de pequenas partículas contaminadas, emitidas quando uma pessoa infectada respira, fala, espirra ou tosse. Em ambientes abertos e bem ventilados, essas partículas tendem a se dispersar, o que reduz consideravelmente o risco de contaminação. Já em locais fechados e mal ventilados, elas se acumulam. Daí a decisão de retirar sempre primeiro a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre.

Estudos indicam que mais de 99% das transmissões ocorrem em locais fechados e menos de 1% em áreas externas. No entanto, a decisão de retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambiente aberto ainda divide especialistas. Há quem considere precoce e quem ache que já está na hora de tentar voltar a alguma normalidade.

Para o médico geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba, agora é um bom momento para flexibilizar a obrigatoriedade do uso de máscaras nestes ambientes e analisar os efeitos dessa decisão.

“Ninguém sabe se é seguro ou não retirar a obrigatoriedade de máscaras ao ar livre. Sabemos que o vírus está circulando porque ainda tem muito caso e morte de covid-19 no Brasil, mas todos os indicadores estão baixando consistentemente. Em algum momento vamos precisar tentar voltar ao normal e agora é um bom momento para testar isso em ambientes abertos”, diz o médico.

Ele comenta sobre a realização de “testes” pois afirma que, se houver um aumento considerável no número de novos casos da doença 15 dias após a implementação da medida, é sinal que é necessário repensá-la.

“Mas é válido tentar. E o sucesso vai depender muito do comportamento das pessoas”, alerta.

O infectologista Alberto Chebabo, vice-diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), acredita que em locais com baixa circulação viral, baixo número de casos, internações e casos graves, como a região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro, a retirada da máscara ao ar livre é uma medida segura. Mas ele ressalta que o item ainda precisa ser utilizado em locais com aglomeração, mesmo que ao ar livre.

“Em um ponto de ônibus no horário do rush ou na estação de trem, as pessoas precisam continuar usando”, orienta o médico.

A recomendação vai ao encontro das propostas do governo do Rio de Janeiro. O decreto estabelece que é preciso manter o distanciamento social de no mínimo 1 metro e, caso haja necessidade de aglomerar, o cidadão deve colocar sua máscara facial. A recomendação é manter distância mínima de 1 metro entre pessoas sem máscaras. No entanto, no Distrito Federal, não há essa recomendação.

A complexidade em se controlar aglomerações é a principal preocupação de especialistas que acreditam que ainda é cedo para tirar a obrigatoriedade do uso de máscara em ambiente aberto.

“Tirar a máscara neste momento não traz benefício nenhum ao indivíduo ou à sociedade. Não é algo necessário para a retomada de atividades, por exemplo. Ao retirar a máscara, mesmo em ambientes externos, as pessoas vão aumentar seu risco, por menor que ele seja, e quem vai pagar a conta é quem está desprotegido”, diz o infectologista e pediatra, Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM).

Há também preocupação de que surja um efeito rebote após esse tipo de flexibilização, como aconteceu em Israel, Estados Unidos e Reino Unido. Todos esses países observaram um aumento expressivo no número de novas infecções após a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscaras, associado à disseminação da variante Delta, considerada mais transmissível. Tanto que, em alguns, os governos voltaram atrás na decisão. Em maio, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA retirou a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos para vacinados. No entanto, dois meses depois, o órgão federal voltou a recomendar o uso ao ar livre em regiões com número de casos em alta. As informações são do jornal O Globo.

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