O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira (29) que o País pode passar por um “incêndio fiscal” se não a reforma da Previdência não for feita. Maia reconheceu que a aprovação é difícil, mas necessária, e que a proposta eventualmente aprovada será menos completa que a reforma esperada pelo governo. “Vamos ver o que a gente consegue aprovar a partir de final outubro. Não é fácil. Não é simples”, afirmou.
Segundo Maia, o Orçamento da União é pressionado pelos gastos impostos pelo déficit previdenciário e outras áreas não são contempladas por causa da falta de recursos do governo federal. “O que eu digo, que vai ter um incêndio fiscal, é quando a gente vê o aumento dos gastos primários do governo, os gastos obrigatórios, que não vão parar de crescer. Os gastos com a Previdência não vão parar de crescer”, destacou.
Segundo o presidente da Câmara, de 2017 a 2018, o déficit da Previdência vai aumentar em R$ 50 bilhões, valor que, segundo ele, falta a muitas instituições e órgãos em crise, como universidades federais. “Quando a gente fala que o déficit da Previdência atrapalha a vida das pessoas é isso. Quando a gente fala disso, a gente diz o seguinte: cada vez que o déficit da Previdência aumenta R$ 50 bilhões por ano, é menos investimento em ciência e tecnologia, menos investimento na educação da população brasileira. É isso que eu chamo de incêndio fiscal”, declarou.
Críticas
A disputa entre PMDB e DEM por filiação de nomes da base na Câmara dos Deputados tem refletido diretamente na relação entre os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e da República, Michel Temer (PMDB). Prestes a ser votada a segunda denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o peemedebista, o deputado tem feito declarações públicas que preocupam o Palácio do Planalto.
Maia chegou a dizer que não fez “com eles [governistas] o que eles fizeram com a Dilma” e que “talvez por isso essas mentiras criadas (por integrantes do núcleo duro do Planalto) para tentar criar um ambiente em que eu era o que não prestava e eles eram os que prestavam”. A resposta do democrata ocorre em meio a murmurinhos nos corredores do Congresso Nacional que apontam para possível conspiração do presidente da Câmara contra Temer. Maia, no entanto, nega manter a mesma prática de “traição”.
“Como eles fizeram desse jeito com a Dilma, talvez imaginassem que o padrão fosse esse. O meu padrão não é o mesmo daqueles que, em torno do presidente, comandaram o impeachment da presidente Dilma”, disse.
A declaração logo foi rebatida por um dos principais interlocutores de Temer na Câmara, deputado Carlos Marun (PMDB-MS). “Quem fez o impeachment fomos nós, foi Rodrigo Maia. Nós que fizemos, nós derrubamos a Dilma. O Maia foi tão protagonista quanto o PMDB”, respondeu.
Maia ainda deu um recado a Temer: “Vou dizer claramente, sem nenhuma vaidade: se eu tivesse deixado o DEM sair [da base] com o PSDB, o Michel tinha caído [na votação da primeira denúncia]”. Na contramão do discurso do governo, Maia tem dito à imprensa que a reforma da Previdência será “menor” do que se espera e que, mesmo assim, vai ser difícil aprovar.
