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Sem uniforme ou arma aparente: saiba como a polícia do Distrito Federal monitora Bolsonaro

O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília desde o último dia 4. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Policiais penais do Distrito Federal (DF) passaram a monitorar a casa de Jair Bolsonaro, em Brasília, na manhã dessa quarta-feira (27). Os agentes estão sem uniforme e sem armas à mostra.

A medida acontece após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que o governo do DF monitore o ex-presidente em tempo integral.

A Secretaria de Administração Penitenciária do DF disse que a Polícia Penal está cumprindo a ordem judicial e não comenta ou detalha operações em curso.

Conforme informações da TV Globo, a Polícia Penal optou por evitar uniformes e armas à mostra para atender umas das determinações do STF, que é de evitar a exposição indevida e indiscrição.

Prisão domiciliar

O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília desde o último dia 4. A casa dele fica no Condomínio Solar, no Jardim Botânico – área nobre da capital federal

A administração do condomínio chegou a emitir pelo menos duas notas “disciplinando” temas como o uso de drones e boatos sobre uma suposta expulsão de moradores.

Julgamento

O dia 2 de setembro será o primeiro dia de julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pela trama golpista ocorrida para tentar reverter o resultado das eleições de 2022.

A sessão será aberta às 9h pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin.

Em seguida, o ministro chamará o processo para julgamento e dará a palavra a Alexandre de Moraes, que fará a leitura do relatório, que contém o resumo de todas as etapas percorridas no processo, desde as investigações até a apresentação das alegações finais, etapa finalizada no dia 13 e que representa a última fase antes do julgamento.

Após a leitura do documento, Zanin passará a palavra para a acusação e as defesas dos réus.

A ação penal se refere ao núcleo crucial da trama e será julgada pela Primeira Turma da Corte. O colegiado é responsável pela análise do caso porque o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, pertence à Primeira Turma.

O rito que será adotado no julgamento está previsto no Regimento Interno do STF e na Lei 8.038 de 1990, norma que regulamenta as regras processuais do tribunal.

São réus do núcleo crucial da trama golpista:

* Jair Bolsonaro, ex-presidente da República

* Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

* Almir Garnier, ex-comandante da Marinha

* Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal

* Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)

* Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa

* Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022

* Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, será responsável pela acusação. Ele terá a palavra pelo prazo de até uma hora para defender a condenação dos réus.

Todos os réus respondem no Supremo pelos crimes de:

* Organização criminosa armada,

* Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,

* Golpe de Estado,

* Dano qualificado pela violência e grave ameaça e

* Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição.

A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.

Ramagem continua respondendo pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. (Com informações da Agência Brasil)

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