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Senado defende no Supremo que ação de Bolsonaro contra decisão da CPI da Covid seja rejeitada

Senadores da CPI da Covid entregam relatório final ao presidente do STF, Luiz Fux. (Foto: Roberto Stuckert/Divulgação)

O Senado defendeu nesta segunda-feira (1º), em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a rejeição da ação do presidente Jair Bolsonaro contra uma decisão da CPI da Covid relacionada às redes sociais do presidente.

No último dia 26, a CPI aprovou requerimentos que pedem a quebra do sigilo telemático de Bolsonaro; o banimento do presidente das redes sociais; e a retratação de Bolsonaro por declaração falsa na qual associou a vacina contra a Covid a casos de Aids.

O pedido da CPI ainda deve ser analisado pelo STF e pela Procuradoria Geral da República (PGR), mas Bolsonaro já acionou o Supremo, questionando a ação da comissão.

No último sábado (30), o ministro Alexandre de Moraes deu 48 horas para a CPI enviar informações sobre o tema.

Em resposta ao chefe do Executivo, o Senado afirmou que as providências tomadas pela CPI estão dentro da legalidade, acrescentando que o presidente da República não está imune aos poderes de investigação do Poder Legislativo.

“Não há nenhuma palavra na Constituição da República que imuniza o chefe do Poder Executivo face aos poderes de investigação do Poder Legislativo”, afirmaram os advogados do Senado.

Relembre

Em transmissão ao vivo em uma rede social, em 21 de outubro, o presidente da República disse que relatórios oficiais do Reino Unido sugerem que pessoas totalmente vacinadas contra a Covid estariam desenvolvendo Aids. A afirmação de Bolsonaro é falsa.

Diante da mentira dita pelo presidente, Facebook, Instagram e YouTube removeram o conteúdo do ar. Além disso, a Associação Médica Brasileira (AMB) disse ser “inaceitável” o comportamento de Bolsonaro ao associar a vacina contra Covid a casos de Aids.

Argumentos

No documento enviado ao Supremo, os técnicos do Senado afirmam que a aprovação do requerimento pela CPI da Covid foi regular.

Afirmam também que considerar que o presidente da República não pode ser investigado representa transgressão a princípios “republicanos”. E que, na ação que discutiu o poder da CPI de convocar governadores, não ficou decidido que as autoridades do Poder Executivo não podem ser investigadas.

O documento contesta ainda a tese de que uma eventual investigação do presidente só pode ser feita pelo procurador-geral da República. Neste ponto, ressalta o Senado, Bolsonaro já é alvo de investigação pelo Supremo no inquérito das fake news.

“A Comissão Parlamentar de Inquérito, diante da gravíssima ‘fake news’ proferida e difundida pelo impetrante [Bolsonaro], […] procedeu conforme o respectivo mandamento constitucional, determinando a transferência de dados das redes sociais utilizadas para a disseminação de fake news pela assessoria do Presidente da República”, afirma do documento.

“A CPI apontou no relatório final a existência de um verdadeiro sistema em torno do presidente da República, inclusive instrumentalizando suas redes sociais, para propagação de ‘fake news’ com vistas a promoção de interesses particulares em detrimento até mesmo da saúde dos brasileiros no contexto da pandemia”, conclui.

Governo

No pedido ao STF, a Advocacia-Geral da União (AGU) afirma que Bolsonaro não pode ser alvo de CPI e que o requerimento aprovado extrapola as competências da comissão.

“É importante destacar que o impetrante [Bolsonaro] não participou da comissão sequer como testemunha. E nem poderia ser diferente, já que o presidente da República não pode ser investigado no âmbito de CPIs ou de qualquer outra Comissão Parlamentar, seja a que título for”, argumentou a AGU ao Supremo.

Segundo a Advocacia-Geral, a CPI inverteu “de forma integral” a garantia dos direitos de Bolsonaro e “determinou a adoção de várias providências em seu desfavor, dentre elas destaca-se a quebra de sigilos dos seus dados telemáticos, quando, repita-se, sequer pode o Presidente da República ser investigado no âmbito da CPI”.

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